Aurélio Albano
Enviado a São Paulo
com Agência Estado
As consequências da crise na Bolsa de Nova York para o Brasil são uma incógnita. À primeira análise, a expectativa é ruim, como no resto do mundo. Mas alguns analistas são seguros em afirmar que a situação da economia brasileira é favorável e que a crise aqui acaba antes.
Para o ex-presidente da Bolsa de Valores de São Paulo e diretor da Socopa – Sociedade Corretora Paulista S.A. (uma das mais importantes da Bovespa), Álvaro Augusto Vidigal, não há motivo para pânico no Brasil. ‘‘É importante ressaltar que a queda na Bolsa de São Paulo, seguindo o mercado americano, está carregada do fator psicológico. A situação do País hoje é melhor e não há motivos concretos para mergulharmos nesta crise que não é nossa’’, dizia Vidigal na tarde sexta-feira, ao mesmo tempo em a Bovespa operava em forte baixa seguindo o mergulho da Bolsa de Nova York.
A análise de Vidigal era corroborada por Gregório Mancebo Rodriguez, gerente de Corporate Finance da Socopa e professor de economia de duas universidades em São Paulo. ‘‘Os fundamentos da economia brasileira são bons, o País deve crescer a uma taxa superior a 4% este ano e a expectativa é de grandes investimentos nos próximos meses, tanto de empresas de fora como as daqui. É preciso deixar passar o momento e apostar no longo prazo’’, dizia Rodriguez na sexta-feira.
O cenário desenhado pelo economista-chefe do Banco Chase Manhattan, Luís Fernando Lopes, também carrega com tintas de cores menos fortes do que sugere a forte e persistente turbulência das Bolsas na semana passada.
Os sucessivos escorregões do Nasdaq são vistos por ele como um processo de correção que deve ter continuidade, sem levar, contudo, a uma ruptura na economia dos EUA. Lopes afirma que o lado real da economia vai bem nos Estados Unidos e nos demais países da Europa e da Ásia.
Lopes afirma que a turbulência lá fora tem provocado ruído por aqui num momento que todos os indicadores econômicos estão muito bons no Brasil. Ele também acredita que os sólidos fundamentos vão manter a economia doméstica isolada da instabilidade externa. Por aí, ele é da opinião de que a Bolsa de São Paulo deve interromper as baixas antes da de Nova York e retomar a valorização no curto prazo, em menos de um mês, arrisca.
Sem precipitação – O cenário, de todo modo, é de instabilidade e o investidor precisa agir com cautela, sem precipitações, que apenas aumentam o risco de perda, afirma o diretor da Área de Asset Management do Banco Chase Manhattan, Wagner Murgel.
Em sua opinião, o investidor não deve promover grandes ou bruscos movimentos de recursos até que se clareie o cenário. ‘‘Se a queda da Bolsa de Nova York for apenas uma correção das ações e não uma mudança de tendência da economia norte-americana, as ações domésticas estão com preços baixos e interessantes para compra com visão de longo prazo.’’
O porto seguro para o investidor mais conservador, aponta, são os fundos DI, que seguem os juros correntes, ou, ainda, os que têm títulos com juros prefixados elevados.

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