Para além-mar: BB deve focar no exterior
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segunda-feira, 20 de julho de 2009
Fernando Nakagawa<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer que o Banco do Brasil tenha maior atuação internacional. Em reunião ontem com o conselho diretor da instituição, Lula pediu que o banco tenha presença expressiva nos principais parceiros comerciais do Brasil e citou a América Latina, China e África. E elogiou a recente ação do BB que aumentou a oferta de crédito e adquiriu outras instituições. Ele pediu ainda que a diretoria continue com essa estratégia para ajudar na reação da economia.
A uma plateia lotada com dezenas de executivos do BB de todo o País, Lula cobrou que o banco seja um instrumento para facilitar o comércio exterior brasileiro. Deu como exemplo a China. No país asiático, que desbancou os Estados Unidos como maior parceiro comercial do Brasil, o BB tem apenas um escritório de representação. Para Lula, é preciso ampliar as frentes de atuação naquele mercado, como, por exemplo, a instalação de agências. Assim, seria possível aumentar as perspectivas das empresas brasileiras. O presidente disse que o mesmo se aplica à Venezuela.
A cobrança de Lula deve acelerar os planos de internacionalização do banco federal. Atualmente, o BB trabalha para transformar escritórios que mantém no México, Uruguai e Venezuela em agências. Nos três casos, a transformação deve acontecer ainda em 2009, prevê a direção do banco. Na China, é mais difícil abrir uma agência porque o BB depende de autorizações das autoridades locais.
O investimento para abrir uma agência no exterior, independentemente do mercado, é considerado baixo pelo banco: R$ 1 milhão. Segundo o relato de participantes da reunião realizada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), Lula elogiou a aquisição de outras instituições financeiras, como a Nossa Caixa e o Banco Votorantim.
Ao deixar o encontro, o presidente do BB, Aldemir Bendine, disse que continua atento às possibilidades de compra. ''Mas, no momento, não vemos nenhuma boa oportunidade.''
Aos funcionários do BB, Lula elogiou os bancos públicos ao lembrar que essas instituições foram importantes para que o Brasil tivesse condições de enfrentar a crise, fornecendo o crédito que era escasso nos concorrentes.
O presidente brincou ao dizer que tem ''pena'' dos países ricos que não têm bancos públicos fortes. Deu como exemplos a Alemanha e os Estados Unidos.
Em linha com as indicações do presidente da República, Bendine anunciou após a reunião que o BB vai começar a operar um Fundo Garantidor de Operações de crédito em agosto. A novidade tem como objetivo reduzir juros para pequenas e médias empresas e vai funcionar como um seguro. Nos novos empréstimos, clientes pagam uma taxa que será revertida ao fundo. Em caso de inadimplência, os recursos serão usados para pagar a dívida. Inicialmente, o fundo opera com R$ 650 milhões, sendo R$ 500 milhões do Tesouro Nacional e R$ 150 milhões do próprio BB.
Durante a reunião, Lula foi presenteado com um crachá de funcionário do BB. Ao agradecer, perguntou à plateia quais executivos presentes ingressaram como office boys no banco. Vários levantaram a mão. ''Se eu soubesse, não seria torneiro mecânico, seria office boy do BB. Inclusive, estou com vontade até de tomar um crédito consignado'', disse, tirando gargalhadas da plateia.


