Para advogado, falta vontade política
Os focos de febre aftosa no Paraná ainda resultaram em ação na Justiça Federal contra a União para cobrar prejuízos materiais por conta dos sacrifícios. Por enquanto, a única ação em tramitação foi proposta pelo pecuarista André Carioba, da Fazenda Cachoeira. Inclusive, a expectativa do advogado Ricardo Jorge Rocha Pereira é que saia uma decisão ainda neste mês. O argumento é que os valores pagos ficaram abaixo do mercado, uma vez que o preço da arroba foi avaliado em R$ 48, enquanto o pecuarista tinha contratos firmados por R$ 53 a arroba.
O pedido ainda engloba danos morais e lucro cessante, uma vez que a propriedade perdeu ciclos de confinamento (porque os sacrifícios demoraram a ocorrer). ''Agora os pecuaristas estão apenas recuperando o valor nominal da arroba. Em outubro (quando as suspeitas foram levantadas) a gente já tinha um valor alto da arroba'', diz o advogado. Apesar dos prejuízos, de certa forma, a crise contribuiu para a união da classe. Em abril do ano passado foi criada a Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC).
Ele ainda acredita em ''falta de vontade'' do Ministério da Agricultura para resolver o problema do Paraná. ''Na Argentina também foram registrados focos depois do Brasil e já foi liberada. A Inglaterra teve quatro focos em setembro e já foi liberada para exportações. Até hoje estamos sendo punidos por algo que não aconteceu'', compara. Em março do ano passado foram sacrificados mais de 6 mil bovinos que estavam em sete fazendas localizadas em São Sebastiação da Amoreira, Bela Vista do Paraíso, Maringá, Grandes Rios e Loanda. (F.M.)





