O presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (Abracex), Roberto Primo Segatto, acredita que está ‘‘meio maquiado’’ o resultado da balança comercial brasileira, divulgado anteontem pelo governo, que fechou 2000 com um déficit de US$ 691 milhões. Ele esperava um déficit maior, de quase US$ 1 bilhão. ‘‘A diferença deve aparecer entre janeiro e fevereiro’’, afirmou Segatto, ponderando que a emissão de guias deve ter sido postergada.
Embora o saldo comercial de 2000 tenha sido o melhor dos últimos seis anos, Segatto não viu motivo para comemorações. Segundo ele, o governo ainda não tomou as medidas necessárias para estimular de fato as exportações. O empresário discorda da secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Lytha Spíndola, que acredita num saldo positivo para o desempenho da balança comercial em 2001. ‘‘Não acredito em saldo positivo enquanto o governo não fizer uma mudança radical’’, disse Segatto.
A secretária, Lytha Spíndola, negou ontem que o resultado da balança comercial de 2000 tenha sido maquiado por atrasos nos registros de importação. Segundo Lytha, são concedidas licença de importação à minoria dos produtos. A guia de importação, disse a secretária, é necessária apenas para as compras que necessitam de anuência prévia, como, por exemplo, medicamentos. Segundo Lytha, nos demais casos a licença é automática e registrada eletronicamente, de forma que o governo não tem como atrasar o processo.

mockup