Ribeirão Preto - A decisão do Departamento de Comércio dos Estados Unidos de aplicar tarifas antidumping, que podem variar de 24,62% a 60,29% sobre o suco de laranja concentrado e congelado brasileiro, vai tornar inviáveis as exportações do produto nacional para os norte-americanos. A previsão consta de nota divulgada ontem pela Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), que considera a decisão uma ''sobretaxa'' para o suco, que já paga US$ 418 por tonelada para entrar nos Estados Unidos.
''A imposição de sobretaxa pelo governo dos Estados Unidos, em resposta à ação movida por produtores do estado da Flórida, foi um golpe duro contra o mercado brasileiro. Ainda que provisória, essa sobretaxa, somada à tarifa já existente de US$ 418 por tonelada, praticamente inviabiliza as exportações de suco de laranja para o mercado norte-americano'', informa o documento.
O presidente da Abecitrus, Ademerval Garcia, que participa na China do Congresso da Federação Internacional de Suco de Frutas, diz por meio do documento que, embora não sejam mais o principal destino do suco brasileiro (entre 10% e 20% do total exportado pelo País), os EUA são o maior mercado do mundo.
Na safra passada, entre julho de 2004 e junho de 2005, o Brasil exportou 212.748 toneladas de suco concentrado e congelado para o Nafta, basicamente os Estados Unidos. O negócio correspondeu a cerca de 15% das exportações totais de suco brasileiro e movimentou, no Brasil, em torno de US$ 170 milhões.
Garcia diz que a taxa antidumping, além de afetar os 20 mil produtores de laranja no Brasil, vai atrapalhar a retomada das negociações para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). A decisão, de acordo com o executivo, compromete ainda uma agenda comum entre as duas indústrias (brasileira e norte-americana) para promover o aumento no consumo de suco, cuja negociação está suspensa desde o início do processo antidumping.
''A sobretaxa , somada à tarifa, é uma barreira equivalente a US$ 2,50 por caixa de laranja, valor superior ao recebido pelos citricultores em vários momentos da história recente da citricultura brasileira. A medida também não contribui para restaurar as negociações para a formação da Alca'', informou o presidente da Abecitrus.
O Brasil é o maior fornecedor de suco de laranja do mercado americano e atua na cobertura da diferença entre o que o mercado demanda e o que a Flórida produz. ''Um eventual novo desastre meteorológico deixará em situação difícil os engarrafadores locais e os consumidores'', conclui.

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