São Paulo - O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), José Olavo Borges Mendes, disse ontem, em comunicado divulgado pela entidade, que o Brasil deve aproveitar a ''oportunidade comercial'' que se abre com a confirmação de um caso de vaca louca no Canadá. Para Mendes, como ocorreu em relação à União Européia em 2000, também por causa de surto de vaca louca, o Brasil deve ficar atento à oportunidade de ganhar parte do mercado da carne canadense.
''Mais uma vez, as características da pecuária brasileira - alimentação a pasto, à base de capim - são atributos fundamentais de valorização da nossa carne bovina. A própria União Européia acaba de comprovar isso em recente visita ao País, quando ratificou nossa condição de país sem risco de ocorrência da vaca louca'', afirma.
Os filiados à ABCZ reúnem cerca de 80% do rebanho brasileiro, estimado em 180 milhões de cabeças. O caso pode ter ''implicações positivas'' também para os exportadores brasileiros de carne suína, acredita o diretor de Operações da Seara Alimentos, Júlio Cardoso, já que o Canadá é o segundo maior exportador mundial e o surgimento da vaca louca pode fazer com que os importadores olhem com desconfiança toda a produção canadense de carnes.
No ano passado, o País vendeu 800 mil toneladas de carne suína. O Brasil, que ocupa a quarta colocação entre os exportadores de suínos, vendeu 475 mil toneladas em 2002.
A influência para os exportadores de frangos dependerá da reação dos consumidores canadenses, acredita Cardoso, que é também o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef). O Brasil tem acordo comercial e sanitário para exportar para o Canadá, mas os Estados Unidos, que ocupam quase toda a cota de importação de frango do Canadá, pressionam o país vizinho para evitar que o produto brasileiro ocupe maior espaço no mercado canadense.

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