Brasília - Concessionárias e governo se esforçaram ontem para mostrar o otimismo em relação aos novos projetos de infraestrutura durante a abertura do Congresso Brasileiro de Rodovias & Concessões – Exposição Internacional de Produtos para Rodovias, em Brasília. Segundo os representantes presentes na solenidade, a perda do grau de investimento do País, na semana passada, pela agência Standard and Poor’s (S&P), não vai interferir nas próximas concessões.
"As concessões no Brasil começaram há 20 anos. Na época, o País nem pensava em ter grau de investimento", afirmou em entrevista o presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), Ricardo Pinto Pinheiro. "O que está ocorrendo momentaneamente no País tem pouco significado porque nosso negócio é de visão de longo prazo", minimizou. Pinheiro não acredita que haverá maior dificuldade para captação de recursos para o setor, nem que o dinheiro para financiamento ficará mais caro. "Não é porque o Brasil perdeu o grau de investimento que no dia seguinte a gente tem de sair reajustando tudo", declarou.
Esperado para a abertura do evento, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, não compareceu. Ele passou o dia preparando os cortes no orçamento que seriam divulgados no final da tarde. Seu substituto, o secretário do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Maurício Muniz, afirmou que o governo vai manter em 9,2% a estimativa para Taxa Interna de Retorno (TIR) dos novos contratos de concessões, apesar da queda da nota do País. Ele lembrou que a taxa já chegou a 20% no final dos anos 1990. "Somente neste ano, teremos cinco concessões novas", afirmou. Uma delas é a ponte Rio-Niterói. Primeiro trecho privatizado do País, há 20 anos, a ponte acaba de passar pela segunda licitação.
Outro trecho, que já foi enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU) é o da "estrada do frango". São 493 quilômetros das BRs 476, 153, 282 e 480, entre Lapa (PR) e a divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul. O governo pretende fazer o leilão das cinco rodovias ainda neste ano. Há ainda outros 11 trechos no País, que constam do Plano de Investimento em Logística (PIL) 2. Até 2010, o Brasil tinha 4,6 mil quilômetros de estradas privatizadas. Só em seu primeiro mandato, a presidente Dilma Rousseff repassou mais 5.300 quilômetros. E, neste ano, anunciou outros 6.500 quilômetros.
"Nos próximos cinco anos, investiremos R$ 55 bilhões. Estamos falando de contratos já assinados e não de promessas", afirmou o presidente da ABCR durante a abertura do evento. Apesar de tentar transmitir otimismo, ele admitiu que a situação atual do País é grave. "Temos de avaliar o momento econômico e político delicado. Não podemos ignorar problemas, temos de discutir a crise."
Muniz ressaltou que no momento em que as concessionárias assumiram os primeiros trechos rodoviários, há 20 anos, a situação era pior. "O Risco Brasil e os juros eram muito maiores. Não havia marco regulatório e a jurisprudência era incipiente. Nos últimos anos, caminhamos muito. Acumulamos experiência. A infraestrutura brasileira pede investimentos grandiosos, que precisam sair do papel", declarou.

* O repórter viajou a Brasília a convite da ABCR
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