O presidente da Volkswagen, Herbert Demel, não acredita que o Brasil já tenha enfrentado o pior da crise financeira mundial. Segundo ele, os primeiros meses do próximo ano ainda serão difíceis para a economia brasileira, já que serão necessários a aprovação do programa de estabilidade fiscal e a votação das reformas estruturais. ‘‘Até hoje, fizemos apenas medidas emergenciais. Agora é preciso sanear o déficit público e controlar a balança comercial’’, afirmou Demel, antes de participar do seminário Autodata, que discute as perspectivas do setor automobilístico para 1999.
Segundo Demel, se as medidas emergenciais do programa de estabilidade não forem cumpridas estritamente e rapidamente, o governo precisará acelerar o ritmo de desvalorização do real frente à moeda americana. Ele não arriscou um palpite enquanto o real está sobrevalorizado em relação ao dólar. Para Demel, as medidas emergenciais deveriam estar implantadas até o dia 1º de janeiro de 1999 e as reformas estruturais ainda no primeiro semestre.
No momento, a Volks estima uma redução em 10% sobre os investimentos programados para o ano que vem, o que fará com que eles fiquem no patamar de US$ 500 milhões - abaixo do biênio 1997-98. ‘‘Não vamos poder reduzir muito porque há muitos investimentos em estágio avançado. Mas alguns pequenos investimentos serão postergados’’, disse o presidente da Volks, citando a finalização da nova fábrica da empresa em Curitiba como um investimento a ser mantido. A previsão de entrada em operação da fábrica no início do mês de março de 99 está mantida, com o início da produção do Golf cinco a seis meses após.
De acordo com a projeção da Volks, o programa de estabilidade fiscal trará um aumento no preço de 5% para os carros populares e de 10% para os carros mais caros. Isso se o programa for mantido na sua totalidade pelo Congresso Nacional. A empresa prevê que a produção de todo o setor automobilístico fique em 1,5 milhão de veículos no próximo ano, praticamente o mesmo volume deste ano. Demel não quis dar sua opinião sobre a possível substituição do aumento da alíquota da CPMF por uma elevação do preço dos combustíveis, mas indiretamente disse que essa proposta prejudica especificamente o setor automobilístico em detrimento de outros. ‘‘Todos querem apertar o cinto dos outros. A indústria automobilística já é uma das mais afetadas pela crise neste ano e não faz sentido forçar ainda mais’’, afirmou.
No próximo dia 11, a Volks inicia negociações com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, mas o presidente da empresa não quis adiantar quais serão suas propostas. Da mesma forma, não disse se serão necessárias ou não novas demissões a partir do próximo ano com a previsão de queda das vendas. Nos próximos dias, a empresa dará férias coletivas para seus funcionários por um prazo de dez dias, para tentar reduzir o volume de seus estoques, estimado hoje entre 30 a 35 mil veículos. Sobre a possibilidade de uma redução dos preços dos veículos para tentar atrair consumidores, Demel disse que as montadoras estão no limite de suas possibilidades. ‘‘Se somarmos os resultados das quatros grandes montadoras, estamos no vermelho’’, disse, não revelando qual é a exata situação da Volkswagen. De acordo com ele, a empresa terá 29% do mercado de veículos e de comerciais leves em 1998.Arquivo FolhaHerbert Demel, presidente da VW: primeiros meses de 99 serão difíceisAgência Estado

mockup