Não procurar acertar em um único preço, mas obter um valor médio das sacas com as vendas escalonadas. Esse é o conselho de consultores sobre qual a melhor forma de comercialização a soja. Apesar dos especuladores, o mercado vem se recuperando e, nos últimos 30 dias, a saca da commodity subiu 25% em decorrência da estiagem que atinge o Sul do País e parte do Mato Grosso do Sul. No Norte do Paraná o preço está em R$ 32.
''O tamanho da safra brasileira ainda é uma incógnita. Só teremos o número real no final da colheita'', diz o diretor da Agência Rural em Curitiba, Fernando Muraro para quem, pior que preço baixo, é colher pouco. A previsão inicial de que o Brasil teria uma safra com 62 milhões de toneladas foi derrubada com os novos levantamentos que mostram quebra entre 8 a 10 milhões de toneladas.
Definida a safra brasileira, o consultor afirma que o mercado internacional se volta para a safra da Argentina, cuja colheita este ano deve chegar a 38 milhões de toneladas - 6 milhões a mais do que no ano passado. ''Nossos dois maiores concorrentes - Estados Unidos e Argentina estão colhendo safras cheias e isso limita o aumento do preço por causa da oferta''.
Para a Cooperativa Agrícola (Corol) de Rolândia ( 25 quilômetros de Londrina) a palavra chave nesse momento é cautela. A assessoria de imprensa informou através de nota que a cooperativa acredita na possibilidade de aumento do preço a curto prazo até porque, na Argentina e no Paraguai estão previstas reduções.''Por isso, o agricultor deve fazer um acompanhamento quase que diário para aproveitar essa possível oportunidade. Se o preço passar de R$ 35 já é uma referência importante'', diz a assessoria.
A Cocamar em Maringá tem armazenada ainda 70 mil toneladas da safra passada. Isso representa 25% de um total de 540 mil toneladas recebidas. O coordenador comercial de grãos, Antonio Sérgio Bris, informa que a cooperativa tem uma boa logística para armazenar o produto, porém o produtor deve ir comercializando aos poucos. ''Os produtores ainda têm a esperança de que a vai chegar aos preços do ano passado, mas os preços podem oscilar por vários fatores'', explica ele, acrescentando que além da oferta e demanda, existe a movimentação técnica por parte dos fundos que compram a oleaginosa.
A expectativa é que os Estados Unidos divulguem, no final do mês, a redução do plantio. ''Se houver redução do plantio nos EUA, isso também vai influenciar no preço aqui'', disse Bris, fazendo um alerta.''E melhor o produtor não especular e vender um pouco aqui, outro ali do que tentar acertar no olho da mosca. Ele pode errar inclusive a mosca'', comparou.
O produtor Ismael Braguetto, que planta 250 hectares de soja em Jussara (no Noroeste, a 67 km de Maringá), afirma que ''especuladores'' aproveitam o momento de desespero de muitos produtores que têm dívidas vencendo, forçando a venda. Ele acredita que o preço ainda deverá subir devido à quebra maior da produção do que a que vem sendo anunciada oficialmente. ''Estão prevendo uma quebra média de produção entre 15% e 20% no Estado, mas aposto que será muito maior. Aqui na minha propriedade, por exemplo, onde colhi ano passado 55 sacos por hectare, este ano estou colhendo 30 sacos por hectare de uma variedade mais tardia.''

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