Para a FGV, pobreza está menor no País
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segunda-feira, 16 de abril de 2001
Agência Estado Do Rio 
O crescimento econômico no ano passado levou a proporção de pobres na população das seis maiores regiões metropolitanas brasileiras São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife a cair de 29% em 1999 para 27,9% em 2000. É o que diz o estudo A evolução recente da miséria, do economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Neri explica que são consideradas pobres as pessoas que têm renda per capita na família equivalente ao poder de compra de até R$ 60 em São Paulo, segundo a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de cada região.
Neri destaca que esta é a primeira redução na proporção de pobres depois das crises cambiais na Ásia, na Rússia e no Brasil, que levaram a uma política econômica que resultou no aumento progressivo das proporções de pobres de 25,1% em 1996 para 29% em 1999. Para este ano, Neri diz que se pode esperar, em um cenário conservador, uma redução da pobreza maior que 6%, levando a proporção de pobres para 26,2% da população nas seis regiões estudadas.
O economista prevê que, entre este mês e o próximo, a redução da pobreza deve ser de pelo menos 4%. Isso, explica, considerando o reajuste do mínimo para R$ 180 e o fato de que em todas as sete vezes em que houve reajuste do mínimo do pós-real a pobreza caiu instantaneamente em pelo menos 21% do reajuste do mínimo.
Para a conta, Neri considerou o número de 21% do reajuste salarial para chegar aos 4% de redução da pobreza, apesar de, na média dos últimos sete anos, o efeito de redução da pobreza ter ficado acima de 30% do reajuste do salário mínimo.
A diminuição da pobreza pode ser ampliada para mais de 6% este ano se for adicionado ao efeito do mínimo um crescimento da economia em geral que, Neri espera, deverá ser de cerca de 4%. Mas há muita incerteza sobre as economias americana, argentina e japonesa e isso é sempre preocupante para o Brasil. Por isso, este ano está mais difícil prever qual será crescimento econômico.
O estudo de Neri é fortemente influenciado pela variação salarial porque é elaborado com base nos dados apurados pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Neri comenta que as seis regiões metropolitanas onde a PME é realizada têm cerca de 30% da população do País e renda 42,5% superior ao resto do Brasil. A pobreza é maior nas periferias e zonas rurais, mas, para 2000, não tivemos uma pesquisa que alcançasse essas áreas. A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), que é bem mais ampla que a PME, foi realizada em outubro de 1999, diz Neri.


