Para a CNI, freio agora é exagero
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terça-feira, 03 de dezembro de 1996
Agência Estado 
RIO - O Informe Econômico da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado ontem, defende que apesar de a economia brasileira estar em processo de recuperação, o governo não deve adotar mecanismo para frear o aquecimento. O estudo parte do princípio que o aquecimento observado nos últimos meses não é excessivo e tem um forte compente sazonal (festas de fim de ano). Daí a conclusão de que não há necessidade de medidas restritivas para conter o crescimento neste momento.
Segundo o subchefe do departamento econômico da CNI, Flávio Castello Branco, a recuperação econômica observada nos últimos três meses foi relativamente suave. A seu ver, os dados de desempenho industrial da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que apontam para um crescimento, precisam ser bem analisados. Comparadas a outubro de 1995, as vendas industriais no mesmo mês deste ano cresceu 14%. Mas Castello Branco observa que outubro de 1995 foi um período de ajuste forte no ano passado. Tanto que ao dessazonalizar os índices (retirar os efeitos típicos de cada época do ano), o Índice de Atividade da Fiesp (INA) cresceu apenas 0,6% (outubro contra setembro) e as vendas reais 2,9%.
Nos últimos três meses, o INA ficou relativamente estabilizado em um nível abaixo do que esteve em 1996, diz o economista. Segundo ele, causou muito impacto a divulgação do resultado do PIB do terceiro trimestre, um desempenho recorde, mas ele chama a atenção para o eterno fator estatístico, que dá margem a análises equivocadas sobre desempenho da economia; a comparação com 1996 é favorável porque aquele período de 95 foi particularmente ruim para a economia.


