Para 36% dos entrevistados pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) em pesquisa elaborada para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o atual governo é o principal responsável pela crise energética. Na Região Sudeste, este porcentual é de 42%. A pesquisa, realizada entre os dias 14 e 18, revela ainda que 17% dos 2 mil entrevistados acreditam que a crise energética é responsabilidade de governos que antecederam o do presidente Fernando Henrique Cardoso, por não terem feito os investimentos necessários.
Apesar dessa posição, 47% dos entrevistados afirmaram que as medidas tomadas pelo governo para evitar o agravamento da crise estão na direção certa. Outros 43% disseram o contrário. O Sudeste, uma das regiões mais afetadas pela crise energética, é a única região do País onde o número de entrevistados que acha que as medidas estão na direção errada (48%) é maior do que o contingente que considera o contrário (43%).
A pesquisa revela ainda que, para 33%, os órgãos públicos devem fazer o maior esforço para economizar energia. As indústrias (28%) e os consumidores particulares (26%) aparecem em segundo e terceiro lugares, respectivamente. ‘‘Isso mostra que aquele que é apontado como o principal responsável pela crise energética deve também ser o principal agente para atenuar o problema’’, disse o presidente da CNI, deputado federal Carlos Eduardo Moreira Ferreira (PFL-SP).
O aumento do desemprego é apontado como a principal consequência da crise energética. Dos 2 mil entrevistados, 44% afirmaram que essa deverá ser a grande consquência da crise. O empobrecimento do País foi citado por 13% e a fuga das indústrias para outros países, por 8%. O aumento da inflação também foi mencionado por 5% dos entrevistados como a principal consequência da crise de energia.
Outros 7% apontaram a redução dos investimentos. Ferreira afirmou que existe um risco ‘‘muito baixo’’ de empresas hoje instaladas no País transferirem as plantas para outras nações. ‘‘O risco de isso ocorrer é muito pequeno; o que pode acontecer é a redução dos investimentos destas empresas’’, declarou. A pesquisa, divulgada na tarde de ontem, revela ainda que 32% dos entrevistados acreditam que o racionamento irá durar até depois de 2002.

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