Para 2000, Iedi projeta superávit
Para 2000, Iedi projeta superávit
Arquivo FolhaSINAIS TROCADOSDe janeiro a agosto, a perda de exportação devido à queda de preços de produtos básicos e semimanufaturados soma US$ 2,9 bilhões. Isso bastaria para transformar o déficit comercial do período, que foi de US$ 700 milhões, em superávit superior a US$ 2 bilhões, caso os preços de exportação tivessem mantido os níveis de 98Com base nas suas projeções, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial prevê uma mudança expressiva no comércio exterior brasileiro entre 1998 e 2000, representando variação positiva de quase US$ 11 bilhões, com a transformação do déficit de US$ 6,6 bilhões, em 1998, em saldo de US$ 4,2 bilhões, em 2000.
Mas adverte que o saldo esperado para 2000 deveria ser maior para sinalizar uma redução mais significativa do déficit em transações correntes (o balanço de todas as operações do país com o exterior). Com o superávit comercial estimado, o Iedi prevê déficit em transações correntes de 4,2% do PIB em 2000, ligeiramente menor do que o déficit anterior à crise cambial, que foi de 4,3% do PIB. Foi esse nível de déficit externo que deflagrou a própria crise cambial de janeiro deste ano.
Por isso, diz o Iedi, o País tem dois desafios nos próximos anos: obter uma elevação das exportações maior do que o aumento motivado pela desvalorização cambial e tornar a pauta de exportações menos sensível às variações dos preços internacionais. Estamos atualmente arcando com o ônus de uma pauta de exportações menos rica do que seria possível ter. Enriquecê-la significa torná-la mais concentrada em produtos de tecnologia avançada e de maior valor agregado. A inspiração nesse caso é o grande êxito da Embraer, afirma o estudo.
Para o Iedi, o aumento quantitativo e qualitativo das exportações pressupõe a implementação de uma política de exportações dotada de todos os instrumentos possíveis de incentivo e com um alto grau de coordenação geral. O Iedi descarta, porém, a inclusão da renúncia fiscal e da concessão de subsídios no rol de instrumentos da política de exportações por causa da situação das contas públicas do país.
O estudo faz, porém, uma observação. Dos subsídios e auxílios líquidos concedidos pelos governos dos países desenvolvidos somente à indústria, estimados em US$ 50 bilhões pela OCDE (Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico), quase 20% são direcionados à exportação. Isso significa que o Brasil parte já com uma desvantagem competitiva e, por isso, terá de avançar nos demais instrumentos, tais como a reforma tributária (não para conceder incentivos, mas para remover os atuais obstáculos à exportação), a reforma fiscal, a ampliação de modalidades, cobertura e recursos dos financiamentos e do seguro de exportações, a incorporação das pequenas e médias empresas à exportação, a articulação da política industrial e do desenvolvimento tecnológico com as metas quantitativas e qualitativas de exportação, a abertura de mercados externos por meio da política comercial, a promoção comercial, o desenvolvimento de marcas nacionais e o design do produto exportado.





