Paquistão e Brasil querem ampliar comércio
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terça-feira, 30 de novembro de 2004
Lu Aiko Otta<br>Agência Estado 
Brasília Empresários brasileiros e paquistaneses precisam se aproximar, para criar oportunidades de negócios. Foi nessa tecla que bateram os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva e do Paquistão, Pervez Musharraf, durante encontro que tiveram ontem. O encontro empresarial Brasil-Paquistão que se realiza hoje em São Paulo e a visita à fábrica da Embraer são duas iniciativas de Musharraf para tentar mudar esse quadro.
''Os números do comércio bilateral são muito baixos, muito pequenos'', disse o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Márcio Fortes. Ao longo dos últimos cinco anos, a troca de mercadorias ficou na casa dos US$ 50 milhões ao ano. Ele observou, porém, que há possibilidade de o Brasil transferir tecnologia para fabricação de álcool, pois o Paquistão é produtor de cana-de-açúcar.
''As possibilidades são muitas, mas existe a necessidade de aproximação empresarial'', comentou Fortes. Os paquistaneses também estão interessados em comprar couro semi-processado para fabricação de bolsas e calçados. Petróleo, energia e algodão são outras áreas onde poderá haver cooperação.
Última de uma série de sete visitas de Estado ocorridas em novembro, a reunião de Lula com Musharraf foi a menos concorrida de todas. Apenas um ministro ''titular'' o das Relações Exteriores, Celso Amorim participou da reunião com a equipe paquistanesa. Também estava na reunião o ministro interino do Planejamento, Nelson Machado. Márcio Fortes representava o ministro Luiz Fernando Furlan.
Ao final, foram assinados quatro documentos: um trata da cooperação no combate ao narcotráfico, outro da cooperação na área de combate à fome, um terceiro cria um mecanismo para que os dois países se consultem sobre temas que sejam de interesse mútuo e um quarto garante que um diplomata brasileiro não precise de visto para entrar no Paquistão e vice-versa.
Musharraf veio ao Brasil numa tentativa de dar mais visibilidade ao seu país, depois de iniciado o processo de reconciliação com a Índia, após mais de meio século de disputas pela região da Caxemira. ''Para aplaudir são necessárias duas mãos. A nossa está estendida'', comentou o paquistanês. A atitude foi elogiada por Lula. ''O processo de reconciliação com a Índia, que Vossa Excelência pôs em marcha, juntamente com os governantes indianos, tem as marcas de um homem de Estado'', discursou. ''O impacto desse gesto para a estabilidade no coração da Ásia e para a segurança internacional tem sido extraordinário.''
Brasil e Paquistão são atualmente membros rotativos do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). No entanto, o Paquistão não apóia a tese de que são necessárias novas cadeiras permanentes no Conselho, como defende o Brasil. Nessa discussão, o governo brasileiro é aliado da Índia, que também pleiteia uma vaga permanente.


