O preço do papel no País deverá ficar 24% mais caro a partir deste mês de fevereiro. A informação é da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf Nacional), que já projeta um impacto que a alta do insumo vai causar em diversos outros setores, como de livros, cadernos, embalagens de alimentos e de remédios. Segundo a entidade, o índice dobrou em relação a 2015, quando o reajuste foi de 12%.
Presidente da Abigraf, Levi Ceregato externou sua preocupação com a alta em carta enviada a entidades ligadas ao setor papeleiro, como a Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ) e e Associação Nacional dos Distribuidores de Papel (Andipa). Ele afirma que não vê reajuste assim há muitos anos. "Já vai há muito tempo, quando a inflação era 30% ao mês no pré-plano cruzado."
Apenas a Andipa enviou nota à FOLHA pela assessoria de imprensa dizendo que "é solidária na preocupação com o aumento do preço do papel anunciado pela indústria nacional". "Entendemos que, como na celulose e nas demais commodities, o preço do papel pode oscilar conforme o câmbio e o mercado internacional. O ponto principal aqui é o percentual de reajuste aplicado. Ainda que represente a diferença represada no preço do papel, consideramos que o aumento agora é preocupante e trará impactos significativos a todos os segmentos usuários do papel", continua a nota. A IBÁ disse, pela assessoria, que não comenta preços.
Para não perder clientes, as gráficas não estão conseguindo repassar todo o reajuste aos preços de seus serviços, diz Ceregato. "As empresas não têm condições de repassar o reajuste para os clientes, porque trabalhamos com contratos anuais e estamos vivendo um ambiente de negócios difícil. O mercado não está aquecido." O cenário preocupa o setor, que já enfrentou decréscimo de 12% a 15% no ano passado.

CORTES
A fim de cortar custos, o empresário João Antônio Bortoto Neto, da gráfica Idealiza, em Londrina, tomou a decisão, há algum tempo, de trabalhar com apenas um turno na sua linha de produção. "Três, quatro anos atrás, ficávamos três turnos rodando. Agora temos apenas um." O corte também refletiu no quadro de pessoal, que reduziu significativamente. Segundo o empresário, a situação é agravada pela inadimplência dos clientes, que cresce. O reajuste do papel chegou para a gráfica de Bortoto Neto em partes – o fornecedor repassou, por enquanto, apenas 7% a 8% de aumento, ele diz. No entanto, afirma já esperar novas correções ao longo do ano.
"O cliente, na ponta, está buscando alternativas de redução de custo para fazer frente à situação difícil da economia", comenta Edson Benvenho, um dos sócios da Midiograf, de Londrina. Por esse motivo, a empresa não está repassando, em sua totalidade, o reajuste do preço do papel para o cliente, afirma o empresário. De acordo com ele, a correção já pode ser sentida e ocasionou um aumento de cerca de 15% no custo de produção. Junta-se a isso o dissídio dos funcionários, que está em negociação. "Já é grande o esforço comercial para colocar trabalho para dentro da gráfica, e a rentabilidade é muito pequena. Quando passa pelo custo do papel, teremos um custo maior do produto no final da negociação."
Para contornar o alto custo e a baixa rentabilidade, Benvenho afirma que está investindo em capacitação de mão de obra e em novos mercados para aumentar as vendas e "ter mais jobs para compensar a margem, que caiu".

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