O preço do pão francês de 50 gramas poderá registrar um aumento de 33% nos próximos três meses se depender unicamente da vontade da indústria de panificação. O produto, que custa hoje, em média, R$ 0,15, chegaria à mesa dos brasileiro em meados de novembro a R$ 0,20, depois de altas graduais de 10% ao mês, segundo Frederico Maia, presidente do Sindicato da Indústria de Panificação do Estado de São Paulo.
O setor de panificação se queixa de uma defasagem atual de 25% considerando a alta do preço da farinha, atrelada aos reajustes de tarifas e embalagens. Segundo ele, a indústria está operando no vermelho. Pelas suas contas, nos primeiros sete meses do ano os preços aumentaram 7%, porcentual insuficiente para cobrir os custos.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Massas (Abima) Aluizio Quintanilha e diretor geral da Emegê Produtos Alimentícios acredita, contudo, que o mercado não suporta aumentos excessivos. ‘‘Os reajustes não deverão ultrapassar 7%’’, prevê.
Segundo ele, as indústrias estão retirando os descontos concedidos ao varejo que variavam entre 15% e 30% até julho. ‘‘A maioria já decidiu por cortar entre 5% e 10% essas taxas’’, diz. Na sua opinião, os moinhos não conseguirão aumentar os preços acima de 10%. Quanto a Emegê, segundo ele, os aumentos foram escalonados. ‘‘Desde o início da alta do trigo a empresa vem repassando 1% ao mês para o consumidor. O próximo reajuste será da ordem de 4% no próximo mês, totalizando 8%’’.
Pelas contas de Quintanilha, a Emegê que no primeiro semestre registrou alta de 7% no volume de vendas deverá encerrar o ano com crescimento de 12%. O incremento se deve principalmente à compra na fábrica da Nestlé que produz a marca Maggi.
O diretor executivo da Wickbold, Ediberto Wickbold, não irá repassar os aumentos do preço do trigo para o preço final do pão. No princípio de agosto a empresa majorou as tabelas em 14% por conta da elevação da alíquota do ICMS que passou de 7% para 18%. ‘‘O consumidor não suportaria mais reajustes’’, afirma.

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