O valor da cesta básica em Londrina fechou o mês de abril em alta de 3,41% em comparação com o mês anterior, segundo levantamento feito sob coordenação do professor de Economia da Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR) Marcos Rambalducci. O preço médio dos 13 produtos que compõem a cesta foi de R$ 366,80, contra R$ 354,70 no mês anterior.
Os grandes vilões foram a batata, que apresentou alta de 45%, e o pão francês, que subiu, em média, quase 8%. Entretanto, segundo o economista, a carne, que apresentou redução de 4,13%, segurou uma alta do preço global, devido ao peso do produto na composição do valor final. O item que apresentou maior retração foi o óleo de cozinha (-5,72%), mas tem pouco reflexo no preço final.
A variação do preço da cesta básica em Londrina é calculada desde 2005. Para isso, são levantados os preços dos 13 componentes em dez supermercados – dois na zona norte, na sul, na leste, na oeste e no centro -, levando em conta apenas o menor valor e sem considerar a marca. A pesquisa referente a abril foi feita entre sábado e ontem.
O aumento calculado no mês passado é decorrente do encarecimento de nove itens que compõem a cesta. Os R$ 366,80 são referentes a uma pessoa – para uma família de quatro membros, o valor seria R$ 1,1 mil.
Segundo Rambalducci, a alta da batata está atrelada às intempéries, que prejudicaram as plantações. Já no caso do pão francês, as chuvas reduziram a safra de trigo e a qualidade do produto só permitiu o uso para ração animal, o que levou ao aumento da importação, que é paga em dólar – também em alta.
Por outro lado, as chuvas ajudaram nos pastos que alimentam o gado, em período de safra, e levou à retração no mês passado. "O preço da carne corresponde a 40% do total da cesta básica. Como é o principal componente, a pequena queda tem um grande impacto para segurar o resultado final", explica Rambalducci.

Pesquisa antes da compra
O valor da cesta básica é obtido com base nos valores médios dos dez supermercados pesquisados. Porém, se o consumidor comprasse os produtos pelo preço mais baixo encontrado em cada um dos estabelecimentos pagaria R$ 289,48%, uma diferença de R$ 77,32, ou 21,8%, em relação ao valor médio.
O levantamento também mostra a variação de preços entre produtos semelhantes nas diferentes regiões. O quilo do tomate, por exemplo, foi encontrado desde R$ 1,99 até R$ 5,99, uma diferença de 200%. O pote de margarina de 500 gramas também foi encontrado de R$ 1,99 a R$ 3,99 (100% de variação) e o quilo de feijão variou de R$ 3,49 até R$ 6,89.
Para quem vai às compras, o jeito é pesquisar e, diante da alta, trocar de produto. É o que sugere a professora universitária Valquíria Stein Monteiro. "A batata a gente substitui por mandioca, e o pão, a gente faz em casa, já que a farinha de trigo é mais barata", afirma. Ela também procura o estabelecimento mais barato, de preferência, nos dias em que sabe que há promoções de hortifruti ou de carnes.
Em busca de batata para satisfazer o desejo do filho que queria comer fritas, a autônoma Ketlin Schott é outra que procura substituir alimentos. Mesmo assim, não consegue fugir da inflação. "As compras básicas da família, que custavam R$ 200 há questão de meses, agora custam R$ 400", afirma.
Para o comerciante Cláudio Mostaqui, a inflação no bolso do consumidor é sempre maior do que a calculada. "Há alguns anos, era possível comprar produtos por R$ 1. Hoje, parece que tudo custa R$ 5. E sempre há justificativa para os aumentos: muita chuva, pouca chuva, mas os preços nunca baixam. É tudo fictício", reclama.

Imagem ilustrativa da imagem Pão nosso de cada dia eleva a cesta básica
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