O pão francês terá que ser vendido, exclusivamente, por peso. O assunto está sendo discutido em consulta pública pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e deve entrar em vigor em meados de maio. Pela proposta, o peso será o único critério de comercialização do pão francês e tem como objetivo diminuir o nível de erros, hoje verificado, no peso do pão comercializado por unidade. A partir da vigência dessa nova lei, o consumidor irá pagar efetivamente pelo que está comprando.
Atualmente, o produto pode ser comercializado por peso ou por unidades de peso nominal definido. No entanto, é proibido que um mesmo estabelecimento pratique as duas formas de venda. Se a opção for comercializar o pão por unidade, o produto deverá ter um dos valores quantitativos: 50g, 100g, 200g, 300g, 500g e 1kg e o seu peso correspondente. O estabelecimento que optar pela venda somente a peso deve exibir cartaz, de fácil visualização, informando a condição. Os estabelecimentos têm trabalhado com um peso padrão de 50 gramas.
A princípio, a nova portaria deve beneficiar consumidores e fornecedores. Os primeiros passarão a pagar somente pelo peso do produto comprado. Já as panificadoras também irão receber pelo peso exato do seu pão. Em Londrina, a maioria dos supermercados já está adaptada à nova regra, mas a grande parte das padarias tradicionais ainda comercializa o pão francês por unidade. Segundo Marcelo Trautwein, gerente do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), os estabelecimentos terão que fazer algumas adequações na balança utilizada.
O instrumento de medição terá que apresentar divisões, no mínimo, a cada 2 gramas e contar com um mostrador dos dois lados, para que o consumidor possa visualizar o preço. De acordo com ele, o custo dessas modificações na balança não deve causar impactos no preço final do pão. ''Na minha opinião, o consumidor vai sair ganhando porque vai pagar pelo que está levando'', afirma. No entanto, essa portaria pode encontrar alguma resistência entre os estabelecimentos localizados em bairros periféricos.
Nessas panificadoras o perfil do consumidor é diferente, formado por pessoas que saem para comprar o pão com o dinheiro contado. Com a pesagem, esses consumidores já não teriam mais certeza da quantidade do produto que ele poderá levar para casa. No entanto, no centro da cidade, as pessoas ouvidas pela reportagem dizem gostar da modificação. ''Dependendo do tamanho do pão será bom para o consumidor. Às vezes, a unidade do pãozinho sai mais caro'', afirma a comerciante Leda Negrini de Almeida.
A dona de casa Diva Gigante afirma que compra o pão por peso ''faz tempo''. ''Acho melhor porque sai mais barato. Já cheguei a pagar R$ 0,17 em um pãozinho, enquanto a unidade sai por R$ 0,25'', comentou. Já a estudante Carolina Junqueira Knoll diz que não costuma comprar o pão francês com frequência, mas acredita que a modificação será boa se o consumidor passar a pagar mais barato pelo produto. ''Se o quilo do pão não aumentar a pesagem será boa'', observa.

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