Pão, feijão e leite estão mais caros
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segunda-feira, 26 de março de 2001
Vânia Casado De Curitiba 
O consumidor já está pagando mais na compra de alimentos da cesta básica como pão, leite e feijão. Essa alta é reflexo da reação que os produtos agrícolas como feijão, trigo e leite estão tendo no mercado. O trigo está sofrendo a influência da alta do dólar e os moinhos estão repassando este custo no preço da farinha de trigo. O leite está com tendência de alta com o início do período de entressafra e o feijão teve uma reação no mercado em função da escassez de oferta em todo o País.
Os moinhos de trigo já repassaram novas tabelas para venda de farinha de trigo para as padarias no valor de 10% na semana passada e ensaiam novo reajuste de mais 10%. Segundo a presidente do Sindicato da Indústria da Panificação do Paraná, Rose Marisa Paglia, só este ano as padarias e confeitarias estão pagando 30% mais pela farinha de trigo. Segundo Rose, alguns panificadores já estão vendendo o pãozinho entre R$ 0,15 e R$ 0,18 a unidade. A padaria que ainda vende o pão entre R$ 0,12 e R$ 0,13 está trabalhando com prejuízo, salienta. Esses devem estar tirando de algum outro produto para compensar a perda de margem na venda do pãozinho. Ela lembra que não é a alta da farinha de trigo que pesa na composição final do preço do pãozinho e sim a elevação das tarifas de água, luz e telefone e dos encargos sociais que estão pesando na estrutura de custos.
O consumidor que foi aos supermercados comprar leite nesse final de semana já não encontrou as promoções na venda do leite tetra pack. O preço do leite pasteurizado ao consumidor já foi reajustado de R$ 0,79 o litro para R$ 0,84 a R$ 0,87 o litro dependendo do estabelecimento. Essa variação reflete o período que marca o início da entressafra da produção, explica o médico veterinário Francisco Perez Júnior, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab.
O produtor já está recebendo, em média, R$ 0,01 a mais por litro de leite vendido. No mês de fevereiro, recebeu R$ 0,25 o litro e a perspectiva para o mês de março é que o preço do leite pago ao produtor fique em R$ 0,26 o litro. A tendência é de aumento de preço mais acentuado a partir deste mês, afirma Perez Júnior. Segundo ele, apesar do clima ainda quente as pastagens começam a perder vigor e o gado já não absorve os nutrientes necessários para manter a produção de leite em alta.
O produtor de feijão também vem recebendo mais pelo produto desde o início do ano. O feijão carioca que era vendido a R$ 34,00 a saca, em média, no início do ano passou para R$ 54,00 a saca, uma alta de 37,2%. Essa alta já chegou ao varejo e o consumidor está pagando R$ 2,00 o quilo pela mercadoria de melhor qualidade, informa Marcelo Luders, da corretora Correpar.
Para compensar essa alta, o consumidor está migrando para a compra do feijão comercial, que apesar da aparência mais escura tem a mesma qualidade, garante Luders. A vantagem é que essa mercadoria pode ser encontrada por até 30% menos. O aumento no preço do feijão foi provocado pela redução na produção, ocorrida em todo o País.


