Panorama da OIT mostra queda do desemprego na América Latina
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de dezembro de 2004
Vânia Cristino<br>Agência Estado 
Brasília - O desemprego diminuiu na América Latina. Segundo o Panorama Laboral de 2004, divulgado ontem pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a taxa de desemprego na região caiu dos 11,1% registrados em 2003 para 10,5% nos primeiros nove meses de 2004. Isso significa que aproximadamente 19,5 milhões de trabalhadores urbanos estão sem emprego. De acordo com o diretor regional da organização para a América Latina e Caribe, Daniel Martínez, o crescimento econômico e o cenário internacional favorável vão fazer com que o índice caia mais, devendo fechar o ano em 10,4%.
A divulgação do Panorama Laboral de 2004, em Lima (Peru), teve transmissão para o auditório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, onde a OIT realizou um seminário sobre o mercado de trabalho. Nos 11 países selecionados pelo informe, e que representam 95% do Produto Interno Bruto (PIB) de toda a região, o desemprego caiu em seis (Argentina, Brasil, Colômbia, El Salvador, Uruguai e Venezuela). A taxa aumentou no Chile, Equador, México e Peru, mantendo-se estável na Costa Rica.
Martínez foi cauteloso ao divulgar os dados positivos. ''Estamos preocupados porque a recuperação econômica não se traduziu em uma melhora substantiva da situação laboral em muitos países da região'', disse, acrescentando que ''existe a necessidade de reverter a significativa queda da qualidade do emprego produzida nos últimos três anos''.
Pelos dados da OIT, a maior parte da redução do número de desempregados se deve à melhoria substancial da situação em países como a Argentina, Uruguai e Venezuela, onde o desemprego tinha batido recorde nos anos anteriores devido à grave crise econômica. ''Na Argentina a situação era muito ruim'', disse o diretor da OIT no Brasil, Armand Pereira. O Brasil também ajudou a melhorar a taxa de emprego no continente, mas no México a situação é inversa.
Pereira chamou a atenção para o fato de que, no Brasil, a queda da taxa de desemprego ser resultante do aumento dos postos de trabalho. O contrário, por exemplo, ocorreu na Colômbia, onde a taxa de desemprego também caiu, mas em consequência da redução do número de pessoas procurando trabalho. ''Quando as pessoas deixam de procurar emprego pelo desalento, a taxa também cai simplesmente porque essas pessoas saem das estatísticas e não porque a economia foi capaz de gerar os empregos necessários'', explicou.
Os índices de desemprego para os jovens que estão entrando no mercado de trabalho em toda a América Latina é mais do que o dobro do desemprego total da população. Também é preocupante, segundo a OIT a diminuição da cobertura da seguridade social. No Brasil, por exemplo, em 1990 66,6% dos trabalhadores contribuíam para a Previdência Social. Esse porcentual caiu para 63,7% em 2002 e praticamente se manteve estável em 2004, com 63,6%.
Entre os bons indicadores coletados pelo Panorama Laboral está o crescimento do PIB na América Latina, que este ano deverá ser de 5%. É o maior índice registrado para a região desde 1997 e praticamente triplica o desempenho de 2003, que foi de 1,5%. O estudo da OIT ainda aponta a elevação do salário mínimo e do salário real dos trabalhadores na indústria, efeito da queda da inflação.


