Pânico do BC com inflação afeta produção industrial
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terça-feira, 01 de julho de 2008
Nalu Fernandes<br>Agência Estado 
Nova York - A indústria brasileira está dando sinais de estar sendo afetada pela restrição monetária conduzida pelo Banco Central (BC). Esta é a avaliação do economista-sênior da Moody's Economy.com para a América Latina, Alfredo Coutino. Segundo o analista, a desaceleração da produção industrial em maio pode ser resultado não apenas de fator sazonal e transitório como também o primeiro sinal de ''uma economia sendo prejudicada por uma restrição monetária não justificada''.
Embora o coordenador de indústria do IBGE, Silvio Sales, tenha dito não haver evidência de que a alta da Selic tenha influenciado a produção industrial de maio, Coutino argumenta, no relatório intitulado 'sinais de um genuíno enfraquecimento industrial', que o País poderia ser uma ''das primeiras vítimas'' do que ele classifica como fobia em relação à inflação.
De acordo com o IBGE, a produção industrial caiu 0,50% em maio ante o mês de abril, na série com ajuste sazonal. Em comparação com o mês de maio de 2007, o número registrou elevação de 2,4%. Na revisão do mês de abril deste ano com abril de 2007 o novo número fica em 10%.
A diferença entre os níveis da produção industrial em 12 meses (6,7%), em maio (2,4% em relação a maio de 2007) e em abril (10% em relação a abril do ano passado), chama a atenção do analista. Coutino reconhece o fator sazonal relacionado ao número menor de dias úteis em maio, mas acredita que, além do fator sazonal, a indústria brasileira começou a ''enfrentar restrições adicionais, mais provavelmente vindas de condições monetárias mais apertadas''. ''Em nossa opinião, o Banco Central do Brasil tem sido contaminado pelo pânico da inflação global e reagiu agressivamente'', afirmou.
Para Coutino, a reação do BC nas elevações do juro foi ''não apenas prematura, mas também não justificada''. O analista afirma que a inflação não está fora de controle no Brasil, pois está dentro da banda de flutuação da meta de inflação e também pela avaliação de que a retomada da inflação é ''causada por preços internacionais, com os quais a política monetária tem pouco ou nada a ver'', acredita.
O analista diz que a ''fobia'' dos BCs no globo com relação à inflação será responsável por uma ''desaceleração global auto-realizável''.


