Para quem parte do Norte do Paraná, a PR-317 é o melhor caminho para chegar a Foz do Iguaçu, Cascavel, Campo Mourão e outras cidades das regiões Oeste e Noroeste do Estado. Rota de turistas, sacoleiros e gente que viaja a trabalho, a estrada tem tráfego intenso e uma atração diferente em seu km 140, depois da ponte sobre o Rio Ivaí e a 15 km de Engenheiro Beltrão (30 km ao norte de Campo Mourão): centenas de panelas de vários materiais e tamanhos expostas nos dois acostamentos fisgam a atenção de viajantes e rendem ao distrito de Ivailândia, que pertence a Engenheiro Beltrão, os merecidos apelidos de ''panelândia'' ou ''cidade das panelas''.
Não é para menos. No lugarejo de dois mil habitantes a maioria do povo trabalha na usina de cana-de-açúcar que está pertinho dali ou no comércio de beira de estrada. É o caso de Michele da Silva, 20 anos. Estudante universitária de Ciências Econômicas no período noturno, ela ganha um salário mínimo para atuar como vendedora de panelas durante o dia. ''O que ganho me ajuda a custear a faculdade. Não fossem as panelas seria difícil de eu bancar meus estudos. Conseguir emprego por aqui é quase impossível'', explica a futura economista.
Diferente de outros comércios de beira de rodovia, o caso de Ivailândia é peculiar pela segmentação e pelo volume. Ao todo, são mais de 10 barracas, com centenas de panelas à mostra. Mas há também outros utensílios domésticos, brinquedos infantis, chapéus, berrantes, sinos e frutas.
Foi vendendo alho e brinquedos que Ângelo Bom Fim, 45 anos, estreiou na beira da PR-317 no começo da década de 1980. Segundo ele, ninguém vendia panelas por ali até que, em 1982, apareceu um rapaz, dono de uma fundição em Maringá, que ofereceu panelas para aumentar o mix de produtos da barraquinha. Bom Fim resolveu apostar, desconfiado de que não daria certo. Porém, ele estava enganado e os motoristas se interessaram pelas panelas. Dali para frente as barracas se multiplicaram na mesma proporção da quantidade de caçarolas, tachos, frigideiras e afins que passaram a reluzir nos acostamentos.
A primeira fundição que fornecia mercadoria a Ivailândia já fechou as portas, mas outros fornecedores chegaram. Atualmente, uma empresa de Maringá e outras fundições da região fornecem as panelas de alumínio. As de pedra, ferro e cobre são de Minas Gerais e as de barro do Espírito Santo. Os preços variam de uma barraca para outra. Parar o carro e pesquisar vale a pena e pode resultar em uma boa economia.
Na média, os preços são os seguintes: uma panela de alumínio de um litro sai por R$ 23, a de seis litros por R$ 56. Quem não dispensa o sabor da panela de ferro vai pagar R$ 65 em uma de cinco litros. A de pedra, que também dá um sabor especial aos alimentos e os conserva quente por mais tempo segundo os comerciantes, custa R$ 55 a de dois litros. Mas se a ideia é fazer um barreado ou uma moqueca de peixe em uma panela de barro, o viajante-consumidor vai desembolsar R$ 100 por uma de cinco litros.
De acordo com o comerciante Adair Coral, 61, o movimento é forte mesmo em época de férias e de feriados prolongados, mas no geral não dá para reclamar da lucratividade. Catarinense que migrou para o Paraná em busca do dinheiro que se juntava com o rastelo nos áureos tempos do café, ele trabalhou muito tempo como caminhoneiro até virar comerciante de beira de estrada, em 1994. Começou com fruta, mas logo viu que as panelas davam mais lucro. Hoje, oferece três empregos diretos. ''Dá para defender o leitinho das crianças'', brinca.
Tão satisfeitos quanto os comerciantes ficam os clientes. O casal Evandro e Cristina Boldi de Pinho, de Cambará, voltavam com os filhos de um passeio em Campo Mourão e aproveitaram a ''panelândia'' para comprar uma panela de ferro. ''Quando estávamos indo eu já disse ao meu marido que ia querer uma panela. Agora, na volta, resolvemos parar. Quem experimenta um frago, um arroz ou milho verde feito em panela de ferro sabe que o sabor é melhor'', justificou Cristina.

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