As 570 vagas da Estação Aduaneira do Interior (Eadi) de Foz do Iguaçu estavam lotadas ontem, enquanto outros 150 caminhões aguardavam para entrar no pátio. Na saída do estacionamento, mais 250 motoristas tentavam entrar no Paraguai, formando uma fila de cerca de três quilômetros.
Este foi apenas um dos reflexos causados pela pane ocorrida há cinco dias no sistema informatizado da aduana de Ciudad del Este. Impossibilitados de utilizar computadores, os fiscais alfandegários do Paraguai estavam preenchendo os formulários manualmente, dificultando a exportação de produtos brasileiros durante todo o dia de ontem.
Segundo os técnicos que trabalham dia e noite para solucionar as falhas (ocorridas no preenchimento dos valores das mercadorias do sistema chamado ‘‘Sofia’’), os problemas seriam resolvidos até sexta-feira. Mas o gerente local da Administração Nacional de Navegação e Portos (ANNP), Ildefonso Vasquez, admitiu que as dificuldades podem se estender pelos próximos 20 dias. ‘‘Estamos esperamos o final da ampliação do pátio de nossa alfândega, previsto para novembro. Quanto ao software, aguardaremos novas avaliações de Assunção.’’
Segundo o gerente, a capacidade atual da aduana paraguaia é de 300 caminhões. Antes do ‘‘tilt’’ ocorrido nos computadores, 280 cargas eram liberadas em média todos os dias. Com o preenchimento manual, apenas 180 estavam saindo do posto paraguaio. Para evitar o congestionamento na Ponte, 80 caminhões foram enviados diretamente para o antigo terminal aduaneiro (conhecido como Civeca), localizado a 25 quilômetros Ciudad del Este.
‘‘A situação está sendo remediada. Mesmo fora da fila, estes caminhoneiros precisam da liberação para seguir viagem’’, comentou o presidente da Associação dos Despachantes Aduaneiros de Foz do Iguaçu (Adefi), Mário Alberto Camargo, lembrando ainda que muitos motoristas tentarão cruzar a fronteira hoje para evitar passar o feriado na fila. ‘‘Se continuar assim, teremos o caos nesta quinta-feira’’, comentou.