Panaftosa inspeciona o Paraguai
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quinta-feira, 10 de outubro de 2002
Agência Estado 
Brasília - O impasse entre Brasil e Paraguai com relação à investigação de suspeita de febre aftosa no país vizinho chegou ao fim, depois de quase 20 dias. Em reunião realizada na qurta-feira, no Rio de Janeiro, a pedido do governo brasileiro, com representantes também da Argentina, Uruguai, Chile e Bolívia, o Paraguai concordou com a inspeção de uma comissão técnica formada por representantes dos seis países e coordenada pelo Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa) às propriedades onde há suspeita da doença, na localidade de Corpus Christi, província paraguaia de Canindeyú.
A comissão irá anaIisar documentos e coletar amostras dos animais com sintomas de enfermidade vesicular, que serão analisadas pelo laboratório do Panaftosa. Os trabalhos da comissão começarão na segunda-feira e deverão ser concluídos em 15 dias, segundo o diretor substituto do Departamento de Defesa Animal do Ministério da Agricultura, Jamil Gomes de Souza.
Os técnicos também concluíram que, ao contrário do que o Paraguai vinha afirmando, a suspeita é de que realmente há febre aftosa. A conclusão foi baseada no resultado de testes feitos em amostras coletadas de 460 animais localizados em propriedades de Corpus Christi pelo Serviço Nacional de Saúde Animal do Paraguai (Senacsa) e enviadas ao Panaftosa. Conforme a resolução assinada pelos seis países e pelo Panaftosa, dos 460 animais examinados, 10 apresentaram reação sorológica positiva.
A investigação a ser feita pelo grupo técnico dirá se a presença do vírus nesses animais é provocada por vacina ou por um novo foco de aftosa, segundo Souza. O grupo técnico, além de coletar novas amostras dos bovinos e examinar a documentação veterinária já existente sobre o caso, irá identificar as propriedades envolvidas e suas relações de risco para os demais países.
Enquanto não houver uma conclusão sobre o assunto, o Brasil continuará com a fronteira com o Paraguai fechada e com o ingresso de animais suscetíveis à aftosa, produtos e subprodutos proibidos de ingressar em território brasileiro. Também serão mantidas as barreiras sanitárias (físicas e móveis), assim como a presença de unidades das Forças Armadas nos municípios brasileiros do Mato Grosso do Sul e do Paraná considerados zonas de risco pela proximidade com o Paraguai.


