Palocci vai a Washington acalmar investidores
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de setembro de 2005
Paulo Sotero<br> Agência Estado 
Washington - O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, encontrará um ambiente bastante desanuviado quanto às implicações dos escândalos na política brasileira quando desembarcar em Washington, na próxima sexta-feira para a primeira reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, desde o início da crise política no País.
O diretor-gerente do FMI, Rodrigo de Rato; o presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz; e o secretário do Tesouro dos EUA, John Snow, com quem Palocci já tem encontros marcados, certamente terão perguntas a fazer ao ministro sobre os possíveis desdobramentos da crise.
Palocci permanecerá em Washington até a terça-feira, para tranquilizar investidores na conferência anual patrocinada pela Câmara Brasileira-Americana de Comércio de Nova York.
Mudanças - Palocci, porém, será recebido com um sentimento de que o pior passou: a crise está sendo administrada e são modestas as chances de a economia brasileira entrar num novo período de instabilidade por causa de denúncias de corrupção.
''Comparado com agosto, quando o mercado foi tomado pelo temor de que algo imprevisível poderia acontecer a qualquer momento, a situação mudou sensivelmente'', afirmou Alexander Kazan, analista do banco de investimentos Bear Stearns, que retornou sábado da segunda visita que fez ao Brasil em menos de um mês.
''A mudança de sentimento é palpável'' escreveu, em nota que enviou ontem aos clientes. ''Em agosto, os executivos (brasileiros) falavam primeiro da crise política para depois descartar seus impactos negativos na economia real. Na semana passada, eles mencionaram primeiro o panorama relativamente robusto da economia e só falaram sobre política para responder a alguma pergunta sobre o assunto.''
Segundo Kazan, ''os mercados, a essa altura, não estão muito preocupados com a possibilidade de Palocci deixar o governo, se ele decidir, por exemplo, concorrer ao governo de São Paulo, pois a crise parece ter reforçado a impressão de que existe um consenso na comunidade política brasileira sobre política fiscal e monetária e é improvável que isso mude''.
Além disso, ''os mercados sentem-se confortáveis com seus eventuais substitutos na equipe econômica'', disse, referindo-se indiretamente ao secretário-geral do Ministério da Fazenda, Murilo Portugal, e ao secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy. ''Diria mesmo que, quanto mais tempo a situação durar, menores as chances de mudança dos fundamentos.''
Eleições - Kazan acrescentou que ''os investidores têm expectativas baixas sobre o que de positivo ou negativo pode acontecer nos próximos meses, em termos de reformas ou de recuos. Salvo alguma revelação fortemente chocante, os mercados já estão olhando para as eleições presidenciais''. Ele concorda que sua análise aponta para uma curiosa possibilidade de a economia não ser um elemento de grande destaque na próxima campanha presidencial.
''Tudo indica que a política econômica será um elemento politicamente neutro na próxima campanha eleitoral, especialmente se o candidato que emergir com mais força para disputar a eleição com Lula for do PSDB.''


