Palocci responde tese de petistas
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quinta-feira, 08 de abril de 2004
Agência Estado 
Paris - O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, disse ontem, em Paris, que ''beira o lamentável'' o documento de parlamentares do PT, intitulado ''Declaração de Páscoa - Antes que seja tarde: Mudança, Já'', divulgado quarta-feira. No documento, os parlamentares reivindicam mudanças na política econômica do governo e defendem a tese da elevação da meta de inflação (de 5,5% este ano) a fim de impulsionar o crescimento econômico, que poderia chegar a 7% do Produto Interno Bruto (PIB).
''Somente por um ano, pois no ano seguinte teremos um grande desastre'', observou o ministro. Segundo Palocci, ''isso não é estratégia nem de direita nem de esquerda, mas um erro gravíssimo, pois, se a meta de inflação aumenta, também os juros reais e nominais vão aumentar, criando obstáculos ao crescimento''.
''Aumentar a meta de inflação quando ela está diminuindo seria trabalhar contra o crescimento. Certamente não há má-fé no documento, mas não há exemplo no mundo em que isso tenha sido feito'', explicou. ''Seria pagar um custo sem nenhum benefício''. Palocci observou que o erro talvez decorra de alguma deficiência na explicação sobre a política do governo nas sete horas em que esteve no Congresso debatendo o assunto. Ele se disse disposto a explicar mais 20 horas, se for necessário, para que essa política seja compreendida. Para o ministro, inverter os instrumentos que estabilizam a economia é um erro bastante infantil. ''Aliás, Lenin dizia que o esquerdismo é uma doença infantil (do comunismo)''.
O ministro Palocci disse que não está preocupado com as consequências, para o investimento externo, das pressões cada vez mais intensas de alguns setores do seu partido, o PT, que querem mudanças nos rumos da política econômica. O ministro lembrou que, quando recebeu os primeiros investidores e agentes econômicos internacionais no Brasil, disse que o PT era um partido democrático e aberto, mas que o governo se orientaria por uma política econômica firme e bem definida.
Indagado se o PT poderia ganhar as eleições municipais este ano - apesar ou por causa das reformas econômicas - ou estaria se arriscando a uma derrota humilhante, como ocorreu com o partido do presidente Jacques Chirac na França, o ministro Palocci afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não formulou seu projeto de governo voltado para as eleições deste ou de outro ano, mas sim para as necessidades do País. ''Esse erro o presidente Lula não vai cometer. Não podemos formular uma política em função do projeto eleitoral deste ano'', observou.
Palocci participou, em Paris, da Conferência Ministerial sobre o Financiamento do Desenvolvimento, promovido pelos Ministérios das Finanças francês e britânico e que discutiu formas de apoio financeiro para os países pobres. Para financiar a luta contra a miséria, Palocci defendeu a taxação de paraísos fiscais e de bens com efeitos negativos para o meio ambiente, assim com o comércio de certas categorias de armas e o aporte de recursos privados voluntários.


