Palocci reconhece defasagem dos combustíveis
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sexta-feira, 20 de agosto de 2004
Das agências 
São Paulo - O petróleo disparou ontem e se aproximou do patamar inédito de US$ 50 na Bolsa Mercantil de Nova York, o que pode levar a um novo reajuste da gasolina no Brasil. A Petrobras tem afirmado que espera o petróleo atingir um novo patamar de equilíbrio para calcular o aumento nos combustíveis.
Os atuais preços brasileiros são da época em que o petróleo estava no patamar abaixo de US$ 40 o barril. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, afirmou ontem em Brasília que a decisão de aumentar a gasolina no Brasil será técnica e não política. Ele reconheceu que há uma defasagem de preços no País.
''Se os preços do petróleo permanecerem nesse patamar, me parece que eles estão acima daquilo que os preços nacionais indicam'', afirmou. ''A Petrobras tem uma política de preços que acompanha a movimentação dos preços internacionais de maneira defasada. Não se tem ainda uma segurança de como os preços irão evoluir'', afirmou Palocci.
Ontem, o preço do petróleo atingiu a marca dos US$ 49,40 pela primeira vez na história da negociação do contrato futuro do barril em Nova Iorque. O crescimento da demanda na China e na Índia combinado à escalada da violência no Iraque estão entre os principais responsáveis pelo contínuo aumento no preço da commodity. No encerramento dos negócios, o petróleo acabou a semana em US$ 47,86, com queda de 4,06% no dia.
Planejamento - O reajuste interno nos preços dos combustíveis não precisa, necessariamente, aguardar dois meses de alta no mercado internacional, admitiu ontem o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra. ''O que eu posso dizer é que hoje (ontem) não tem aumento. Mas estamos analisando dia a dia'', afirmou. Se fosse seguir à risca o planejamento de reajustar gasolina e diesel após dois meses de uma média de alta do petróleo, a Petrobras só faria o repasse em meados de setembro, já que o barril vem se mantendo acima dos US$ 40 desde 14 de julho. O presidente da estatal frisou, contudo, que este prazo é apenas um parâmetro.
''Isso não funciona como um calendário. Realmente, a Petrobras seguiu uma tendência de reajustes com base em prazos médios de dois meses. Mas há uma série de fatores geopolíticos que precisam ser considerados e acompanhados atentamente'', ponderou.
Ele destacou, contudo, o aspecto especulativo, que levou o preço do barril para perto US$ 50, como um fator de incerteza na definição de um novo repasse. Em entrevista rápida e evasiva durante evento corporativo na Petrobras, Dutra deixou escapar que um aumento pode se tornar inevitável, mas que é preciso esperar mais um pouco paa uma certificação da real trajetória internacional de preços. Dutra também comentou que as análises sobre o futuro dos preços do petróleo não são unânimes.
''Alguns analistas acreditam que parte da alta do petróleo não tem sido motivada por condições de demanda, de consumo, mas sim em função especulativa de fundos investidores na commodity'', afirmou.


