Palocci quer dar musculação para economia
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quinta-feira, 18 de março de 2004
João Caminoto<br>Agência Estado 
Londres - O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, disse que as reformas na economia ''é que vão trazer musculatura para a economia''. ''Não podemos nos alterar porque este é um ano eleitoral. Não podemos sair da rota. Esse é o primeiro ano de uma nova etapa de crescimento histórico do Brasil'', afirmou.
Para ele, 2004 terá crescimento, mas deve ser tratado como o ínicio de um ciclo. ''Os problemas da economia eram de idas e vindas'', afirmou. ''Hoje a mensagem para o empresário é a seguinte: acredite que o governo está determinado a construir um país arrumado''.
Ao ser perguntado sobre os pedidos para sua demissão, ele disse que há dois tipos de críticas: a positiva, que mostra a vontade de crescer mais, de superar as dificuldades do País com mais rapidez, e a feita por aqueles que querem mudar tudo e para quem nada está bom. ''Não posso alterar o meu bom humor, principalmente o meu equilíbrio, com pessoas que agem dessa maneira. Prefiro continuar no nosso processo, que está dando certo'', disse.
Palocci, ainda sobre as critícas, afirmou: ''São vontades muitas vezes legítimas. É legítimo querer mais crescimento, mais desenvolvimento. Mas tudo tem de ser feito dentro de um arcabouço de política econômica. Lembro que os pilares da política econômica não podem mudar. A questão de responsabilidade fiscal deixou se ser questão apenas desse governo.''
O ministro salientou que os juros são definidos a partir da busca de metas inflacionárias. ''Metas mais altas de inflação teriam outro tipo de custo'', explicou. ''Como nós temos que fazer, não apenas falar sobre o assunto, temos de aproximar a vontade da realidade. Pedir juros baixos é bom para o País, mas fazer com que eles baixem é mais difícil.''
Sobre o crescimento econômico, Palocci salientou que desde o fim do ano passado há uma recuperação real da atividade econômica. ''A recuperação do emprego vem ao longo desse processo'', disse. ''Acelerar atividade através de mais inflação não é o caminho adequado. O caminho é acelerar atividade através de reformas econômicas e institucionais. O exemplo importante está na construção civil, que estamos reformando. O impacto positivo da construção civil sobre emprego ocorrerá em poucos meses.''
O ministro da Fazenda disse que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi mal-interpretado quando falou, na semana passada, que o nível dos juros daquele momento era compatível com o crescimento. ''Muita gente concluiu que os juros não cairiam mais'', comentou Palocci, acrescentando que, na verdade, o que Meirelles quis dizer era que o Brasil já havia crescido de forma razoável com nível mais elevado de juros. ''No período 2000/2001, o Brasil cresceu 4,4% com juros reais maiores do que os atuais. O País tinha taxas reais de 10% e hoje ela está em 9%. Podemos crescer mais de 3,5% neste ano'', sustentou.


