Palocci prega acordo com a China
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domingo, 16 de outubro de 2005
João Caminoto<br> Agência Estado 
Xianghe, China - O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o ministro das Finanças da China, Jin Renqing, decidiram criar ontem um grupo de trabalho para ''estratégias conjuntas de crescimento econômico'', cujo principal objetivo é frear o impacto negativo nas relações diplomáticas entre os dois países causado por recentes conflitos comerciais. ''Tenho certeza de que isso ajudará a diminuir as tensões e vai gerar resultados importantes nas relações entre Brasil e China'', disse Palocci, após se reunir com seu colega chinês.
A tentativa de atenuar o clima de mal-estar com Pequim foi um dos principais objetivos da viagem de Palocci a China, onde participou da reunião do G-20. A iniciativa pode sinalizar um aumento da atuação do Ministério da Fazenda nas negociações comerciais do País, área dominada pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan.
Palocci salientou que as relações comerciais com Pequim continuarão sendo negociadas de uma forma separada. Segundo ele, a nova comissão pretende discutir uma estratégia sino-brasileira de longo prazo, com foco nos investimentos e promoção do crescimento econômico ''Não podemos deixar que problemas setoriais inviabilizem um trabalho muito maior de aproximação econômica, política, diplomática e comercial entre a China e o Brasil'', disse. ''Quando deixamos de manter relações apenas de compra e venda e estabelecemos laços mais estratégicos, que dizem respeito àquilo que os países pensam e querem no longo prazo, as questões comerciais encontram um ambiente de debate mais adequado.''
Palocci observou que os dois países estão conscientes de que as suas relações comerciais sempre enfrentarão dificuldades em determinados momentos, principalmente em setores sensíveis para os dois países, como o têxtil e o de calçados. ''Mas essas diferenças devem e serão tratadas com base nas regras previstas pela Organização Mundial do Comércio, inclusive eventuais salvaguardas'', disse. ''Além de tratar desses problemas regulares na OMC, queremos estabelecer um programa mais amplo com o governo chinês, pois os interesses dos dois países estão acima de eventuais conflitos setoriais.''
Segundo o ministro, as relações comerciais entre o Brasil e a China são muito mais complementares que conflituosas. Como exemplo, ele citou o caso dos produtos eletrônicos. ''Somos importadores de insumos eletrônicos chineses, mas isso tem contribuído para as exportações brasileiras desse setor'', explicou. ''Na área de joint ventures com empresas chinesas, há avanços importantes que podem representar geração maior comércio com terceiros países.''


