Palocci prefere inflação baixa a crescimento do PIB
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terça-feira, 24 de maio de 2005
Agência Estado 
Seul - O governo vai dar prioridade ao combate da inflação, ainda que isso signifique frear o ritmo do crescimento econômico. Esse foi o recado dado ontem pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que está em visita à Coréia e Japão em busca de novos investimentos para o Brasil. ''Eu não vejo vantagem de se ter um pouco mais de crescimento com um pouco mais de inflação'', afirmou. O ministro disse que, se o País conseguir, com baixa inflação, crescer um pouco mais, isso será muito bom. ''Mas eu não comprometeria o processo inflacionário com um pouco mais de crescimento porque o combate a essa inflação suplementar vai custar mais caro nos próximos anos.''
Palocci disse não concordar com as previsões pessimistas para o crescimento econômico deste ano. No entanto, ele evitou confirmar que a estimativa oficial de expansão do PIB, de 4%, será atingida. ''O sentimento pode ser sempre subjetivo. Eu não concordo que se possa dizer que há um clima mais negativo em relação ao crescimento'', disse Palocci.
Ele lembrou que o Brasil não tem meta para crescimento. ''Isso depende de muitos indicadores, alguns estão sob nosso controle, a maioria não, inclusive evolução de crescimento mundial'', afirmou. O ministro disse estar otimista em relação ao crescimento em 2005. ''Mas prefiro deixar os números virem, não quero brigar com eles.''
MP do Bem - O ministro Palocci informou ontem que o governo deverá ampliar os benefícios previstos na chamada ''MP do Bem'' para os setores que exportam menos que 80% de sua produção. A iniciativa teria o objetivo de evitar que empresas recorram a malabarismos tributários para se enquadrar nos critérios da MP. As empresas poderiam, por exemplo, criar outra companhia, com outro registro na Receita Federal, para ter acesso aos incentivos fiscais.
Palocci explicou que, da maneira como o texto inicial foi elaborado, essa conduta seria inevitável, poderia prejudicar a alocação de recursos empresariais e não seria considerada ilegal. O texto deverá ser concluído na próxima semana, em princípio, quando Palocci e seu colega Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, poderão discutir o tema, em Brasília.
A ''MP do Bem'' prevê originalmente a suspensão do recolhimento do PIS/Cofins por cinco anos para os novos investimentos em plantas industriais que venham a destinar 80% de sua produção para o mercado externo. Palocci teve o cuidado, entretanto, de afirmar que o governo não cogita a extensão do incentivo para as ampliações de investimentos já realizados. Conforme alegou, ''é preciso olhar para a frente''. Com isso, jogou água fria nos planos da coreana Kobrasco de se beneficiar dos novos benefícios da MP. Essa empresa é sócia da Vale do Rio Doce em uma siderúrgica em Vitória e discutiu o aumento da produção dos atuais 4,5 milhões de toneladas anuais para 6 milhões de toneladas.


