Brasília - O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, fez um apelo a empresários e sindicalistas para que participem do esforço de coesão nacional em torno de uma agenda para o crescimento econômico, durante a reunião de ontem do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Palocci exibiu dados que apontam para o crescimento de diversos setores da economia este ano. ''O processo de desenvolvimento econômico está começando a se disseminar pela economia'', garantiu.
Palocci reafirmou a política econômica, afastou a possibilidade de o governo reverter o controle de gastos praticado desde a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E àqueles que ainda defendem ousadia do governo na condução da politica econômica, Palocci foi direto: ''a ousadia consiste em ser consistente na busca das metas.''
A agenda para o desenvolvimento econômico, segundo o ministro, não se constrói apenas com esforço solitário do governo. ''Uma agenda como essa não se faz pelo esforço só do governo. Ou há uma coesão no País em torno desses objetivos fundamentais e de outros que possam ser de comum acordo compartilhados ou os avanços não serão significativos'', afirmou.
O crescimento econômico sustentado, na avaliação de Palocci, será alcançado, mas, para isso, o governo ainda tem de persistir, por mais alguns anos, no ajuste fiscal. '' O Brasil precisa de um ajuste prolongado para que seja definitivo'', disse ainda o ministro à platéria de empresários e sindicalistas. ''É preciso esforço. É preciso ter unidade nos objetivos do País'', acrescentou.
Sem citar a expressão ''herança maldita'', Palocci disse que nos primeiros quatro anos do Plano Real não houve a geração de superávit fiscal suficiente para garantir o equilíbrio das contas públicas, que foram financiadas com o aumento da carga tributária. No primeiro ano do governo Lula o ajuste fiscal foi praticado sem que houvesse um aumento da carga tributária, insistiu.
Palocci enumerou as medidas que estão sendo adotadas dentro da chamada Agenda de Desenvolvimento, entre elas a redução do custo de capital, para melhorar a eficiência, a produtividade e o ambiente de negócios. ''Estamos criando melhor ambiente de negócios para as empresas'', disse. Além disso, destacou os projetos de incentivo à construção civil e para o desenvolvimento do mercado imobiliário, que estão em tramitação no Congresso.
O ministro se referiu, também, à possibilidade da concessão de empréstimos em consignação com a folha de pagamento e à conta investimento - que permite a troca de aplicações financeiras sem a incidência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), além do projeto de lei de falências, em tramitação no Senado. Palocci adiantou outras medidas que serão anunciadas em breve pelo governo, como a concessão de incentivos à formalização das atividades dos pequenos empreendedores, às atividades de turismo e obras de saneamento, habitação popular e agricultura familiar.

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