Palocci fala em ajuste nos juros
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terça-feira, 31 de agosto de 2004
Eduardo Cucolo<br>Agência Folha 
Brasília - O crescimento da economia no primeiro semestre deste ano surpreendeu o governo federal e levou o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, a falar em um possível ''ajuste'' para garantir que a inflação continue sob controle. Palocci afirmou que não vê obstáculos para que o País possa crescer nos próximos dez ou 15 anos, mas disse que isso vai depender de que seja mantido o ''equilíbrio'' da economia.
''Se a inflação não é controlada, ela impede a continuidade do crescimento. Inflação fora de controle retira renda das famílias e tira aquilo que é o principal motor do crescimento, que é consumo das famílias'', afirmou. ''Queremos que o Banco Central continue vigilante em relação à inflação.''
Palocci disse que não iria falar em taxas de juros, pois essa é uma decisão que cabe ao BC. Mas afirmou que é preciso ficar atento aos próximos indicadores econômicos que serão divulgados. Ele lembrou que, no ano passado, o governo não hesitou em fazer ''ajustes''. Em 2003, o BC chegou a elevar a taxa básica de juros, que hoje está em 16% ao ano, para 26,5%.
''O BC vai saber a cada uma de suas reuniões fazer o melhor para o País e para garantir o crescimento de longo prazo'', disse o ministro. ''Se houver necessidade de alguns ajustes, eles serão feitos com a maior tranquilidade.''
Palocci disse que o desempenho da economia está surpreendendo, mas que, neste momento, considera que a retomada da economia está se dando de forma adequada. ''Os níveis são fortes, de alguma forma surpreendem as análises anteriores, mas nós temos de ver que essa é uma surpresa positiva.''
Impostos - O crescimento da economia brasileira registrado no primeiro semestre deste ano abriu espaço para uma redução maior da carga tributária. Segundo Palocci, o governo continua estudando medidas nesse sentido que deverão ajudar na expansão sustentada da atividade econômica.
''Como teve um aumento maior do que o previsto, nós já estamos anunciando há um mês e meio medidas de redução da carga tributária, porque o crescimento nos deu espaço para fazer isso'', disse o ministro.
Palocci destacou que o crescimento neste ano está sendo sustentado não só pelo agronegócio e pelas exportações, mas também pela retomada da indústria e das vendas no mercado interno. Ele afirmou que o governo já tem indicações de que o crescimento da economia se manteve nos dois primeiros meses do terceiro trimestre. Disse ainda que, desta vez, o aumento do PIB teve um efeito rápido sobre o nível do emprego formal.
O desemprego caiu pelo terceiro mês seguido, segundo o IBGE, e hoje atinge 11,2% da PEA (População Economicamente Ativa). A queda teria sido causada pela antecipação das contratações da indústria para as encomendas de fim de ano.


