Salvador - O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, mandou ontem um recado ao meio empresarial e financeiro, avisando que o governo não trabalha com a hipótese de intervir no mercado de câmbio, comprando dólares, como começam a sugerir alguns setores, diante da possibilidade de a moeda norte-americana cair abaixo dos R$ 3,00. ''Quero ser muito claro sobre isso. O governo não intervirá no mercado de câmbio. Repito, o governo não intervirá no mercado de câmbio'', afirmou o ministro, ao deixar a reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), na capital baiana.
De acordo com Palocci, não há motivo para temer efeitos negativos sobre a balança comercial num momento em que as exportações e as contas externas estão em ''franca melhora''. ''Seria um contra-senso imaginar que ao cair o risco Brasil, ao valorizar nossa moeda, ao equacionar os grandes problemas, como estamos equacionando, isso possa significar algum problema para a economia.''
Para o ministro, as exportações vão continuar crescendo, porque o Brasil conquistou novos mercados, regularizou relações com mercados para os quais as exportações haviam caído no passado e, principalmente, porque os preços das commodities estão se valorizando no mercado internacional. Além disso, ressaltou Palocci, o governo continuará adotando políticas para a valorização das exportações, como a redução de custos de transporte e portos, entre outras medidas de promoção das vendas externas.
''Agora, imaginar que controlar o câmbio melhora para algum setor é esquecer a história recente do País. Durante quatro anos, controlou-se o câmbio e o resultado foi um verdadeiro desastre para as contas públicas. Então, não haverá compra de divisas. O câmbio é livre, e câmbio livre significa câmbio livre'', frisou, referindo-se à fase inicial de implantação do Plano Real. Na época, o Banco Central atuou no mercado, mas em sentido contrário, para evitar a desvalorização do real.
Inflação - Palocci comemorou a queda ''significativa'' da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que caiu de 2,65% em novembro para 0,67% em março. Segundo o ministro, como o governo está ganhando a luta contra a inflação, é possível projetar no futuro uma política de juros mais baixos, mas isso ''só pode acontecer de maneira sustentável se for feito na hora certa''. Apesar de a taxa DI de julho já ter recuado de 26,37% ao ano para 25,99%, o ministro não quis definir um prazo para que o BC reduza a Selic.

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