Palocci desmente, mas juros devem subir
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de fevereiro de 2003
Agência Folha 
Brasília O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, repreendeu publicamente o chefe da assessoria econômica do Ministério do Planejamento, José Carlos Rocha Miranda, que afirmou ontem haver a necessidade de uma alta de três pontos percentuais na taxa de juros caso uma eventual guerra entre os EUA e Iraque dure mais de três meses.
Miranda justificou a alta dos juros como uma medida necessária para manter o fluxo mínimo de capital estrangeiro no país. A afirmação causou estranheza no mercado financeiro, que está desabituado a ouvir comentários desse teor por parte de integrantes do governo, especialmente fora do Banco Central.
''Não é uma pessoa do Ministério do Planejamento que define a taxa de juros. É o Copom. Não é um assessor desse ministério (no caso, o Planejamento), nem esse ministro (referindo-se a si próprio) que tomará decisões a esse respeito'', disse Palocci.
O ministro da Fazenda afirmou ainda que não está preocupado com a questão da guerra. Admitiu que um eventual conflito será um problema ''estressante'' para a economia, mas que não exigirá mudanças radicais de postura. ''Nós precisamos, sim, nos preparar, ter uma atuação focada nos problemas que podem surgir, mas não acredito que as coisas entrem em área de risco por ocasião da guerra'', disse Palocci.
Para o assessor de Mantega, uma guerra de três a quatro meses de duração poderá requerer a necessidade de alta dos juros em três pontos percentuais. Além dos juros, seria também necessário elevar ainda mais o esforço fiscal do setor público. Ele justificou a alta dos juros como uma medida necessária para manter os fluxos mínimos de capital no País.
O economista não quis antecipar qual será a nova meta de superávit primário (receitas menos despesas sem incluir gastos com juros) a ser anunciada pelo governo, mas disse que o superávit previsto trabalha com um cenário de conflito mais curto. Portanto, na eventualidade de uma guerra longa, a meta fiscal também seria revista.


