Palocci defende responsabilidade fiscal
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segunda-feira, 18 de abril de 2005
Fábio Alves<br>Agência Estado 
Nova York - Em discurso para investidores e analistas estrangeiros, durante almoço promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse ontem que ''o Brasil deve saber conviver com seu sucesso, fazendo as coisas certas quando as coisas estão dando certo''. Segundo ele, fazer as coisas certas em períodos de crise ''não é nada espetacular''. ''O importante é fazer o esforço quando as coisas estão bem'', acrescentou.
As declarações foram feitas para justificar o compromisso de consolidar os avanços obtidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que, na opinião dele, é um arcabouço legal suficiente para o Brasil fazer um equilíbrio fiscal de longo prazo.
''Tenho defendido junto ao presidente Lula e a todo o governo que não devemos mexer na Lei de Responsabilidade Fiscal. Pelo contrário, devemos consolidá-la'', afirmou Palocci. Indagado se descartava a possibilidade de o governo elevar a meta de superávit primário fiscal de 4,25% para 4,5% em 2005 e 2006, o ministro lembrou que, desde 2002, o governo trabalha com o compromisso de adotar a meta de superávit primário necessária para pôr a relação dívida/PIB em trajetória de queda. ''Não preciso trazer ao debate presente eventuais dificuldades futuras. Vamos ver se elas vão existir. Como diz o Velho Testamento: cada dia com sua agonia.''
Ao comentar as declarações do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que disse que alguns setores agrícolas estão no limite da competitividade por causa da valorização cambial, Palocci argumentou que o regime de câmbio flutuante ''prestou e vai continuar prestando'' um enorme serviço ao País. ''Eventualmente, o câmbio não estar no lugar que um determinado setor gostaria. Não é possível que indicadores econômicos que flutuam possam agradar a todos ao mesmo tempo.''
O ministro também afirmou que o efeito da política monetária não se dá na semana seguinte, mas leva de seis a nove meses para ser observado. Ele fez a declaração ao ser indagado sobre os motivos de a inflação estar resistindo a cair. Palocci destacou que no começo do ano passado o Banco Central fazia um diagnóstico de que deveria olhar a evolução da taxa de juros e não se precipitar, sendo o BC, então, muito criticado, segundo Palocci.
''Nos meses seguintes, verificou-se que o BC estava absolutamente certo no seu diagnóstico. Depois deste ano, a mesma coisa ocorreu. O BC começou a fazer um esforço em relação ao controle de inflação e muita gente, de novo, critica o BC. Mas os dados mostram que o BC estava certo. Resultados virão. A política monetária traz resultado'', disse Palocci. Segundo ele, é preciso ter claro que o controle da inflação tem de ser uma prioridade. ''Se você não equilibra a inflação, ela tira a renda das famílias e desorganiza o processo econômico.''


