Palocci culpa 2002 por crise econômica
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quinta-feira, 04 de setembro de 2003
Priscilla Murphy,Sheila D'Amorim e Theo Saad<br>Agência Estado 
Brasília O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, justificou ontem a lentidão da retomada da atividade econômica recorrendo ao tamanho da crise enfrentada pelo País no ano passado. Comentando a perspectiva de que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer apenas 0,5% este ano, um terço do previsto anteriormente como anunciou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) , Palocci disse que ''também tivemos em 2002 a pior crise dos últimos dez anos, o que comprometeu o crédito para as empresas, o risco país, a rolagem da dívida e a inflação''.
''A queda do PIB no primeiro semestre é produto dos juros efetivos da economia no final do ano passado e começo deste ano, que estavam muito acima da Selic'', disse, durante entrevista à imprensa, referindo-se à taxa básica de juros. ''Hoje, a taxa básica vem caindo e temos taxas efetivas da economia abaixo da Selic.''
A entrevista foi dada horas depois da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que ocorreu no Palácio do Planalto, no qual ele também fez uma análise da situação econômica do País e uma avaliação da aprovação do texto básico da reforma tributária. Olhando à frente, disse o ministro, a situação é bastante positiva. ''Não sei qual é o número que vamos ter no final do ano, mas continuo otimista com essa economia. Se verificarmos o andamento do setor produtivo, vamos ver que os números difíceis vão ficando para trás. Hoje não se verifica dificuldades pelo pára-brisa, apenas pelo retrovisor.''
Na reunião do conselho, Palocci admitiu que o crescimento vai ser menor do que se imaginava. ''É lógico que nós gostaríamos de não ter inflação e ter grande crescimento, mas corrigir os rumos de um desacerto econômico normalmente tem custado perdas importantes de PIB. Devemos ter um crescimento pequeno neste ano, mas não negativo, e devemos partir já neste semestre para um processo de crescimento sustentável'', discursou o ministro.
Em janeiro, disse, as perspectivas para este ano eram de uma inflação de 113% no atacado e de 43% no varejo. Segundo ele, no entanto, esse custo tem se mostrado menor para o Brasil do que tradicionalmente se vê em ajustes como os que o País vem enfrentando. Palocci disse que, se a economia crescer este ano, em qualquer medida, o Brasil já estará demonstrando uma capacidade de reação acima do comum para países em situação semelhante.
''Se analisarmos o que aconteceu em economias muito parecidas com o Brasil, que tiveram perdas de 5% a 14% do PIB, vamos verificar que nosso País, pela reação da economia real, tem conseguido sair da crise sem perda de PIB.''
Em resposta a cobranças de empresários e sindicalistas de que a política de redução de juros está tímida demais para reativar o crescimento econômico, o ministro pediu paciência e lembrou que o efeito das medidas monetárias não é imediato. ''Os indicadores e instrumentos de ação monetária e fiscal não têm efeito sobre o dia seguinte. Vamos aguardar. A atividade econômica está sendo reaquecida.''
Segundo Palocci, já é possível detectar a recuperação econômica. ''Na vida real, isso já ocorre hoje com setores que estão em amplo crescimento, como os exportadores e de agricultura e pecuária, e dificuldades reais no mercado interno, onde os indicadores negativos estão começando a se estabilizar.''


