Palocci aprova acordo da Argentina com FMI
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de setembro de 2003
João Caminoto<br> Agência Estado 
Dubai - O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, disse ontem que o acordo firmado entre a Argentina e o Fundo Monetário Internacional (FMI) é um fator positivo para o Brasil. ''É muito importante para o Brasil que a Argentina arrume as suas contas'', afirmou Palocci. ''É bom para a Argentina, para o Fundo e para toda a América Latina.''
O ministro evitou, no entanto, comentar os termos do acordo, que gerou insatisfação entre alguns países ricos, que o consideram muito leniente com o governo argentino. Segundo ele, a economia argentina vive uma situação difícil e, por isso, o Brasil é ''solidário'' com o seu principal parceiro do Mercosul. ''Mas não nos cabe analisar o detalhamento do acordo negociado pela Argentina nem de outros países'', afirmou.
O ministro reiteirou que o governo brasileiro não está mantendo negociações com o FMI sobre uma possível renovação do acordo com o organismo multilateral. Mas embora o tema não esteja sendo tratado ''oficialmente'', ele admitiu que nas conversas que vem mantendo com as autoridades do Fundo em Dubai, o assunto poderia ser abordado. Ele reiteirou também que o governo brasileiro ainda não tomou uma decisão a respeito da renovação. ''As coisas continuam melhorando para o País, vamos continuar avaliando'', declarou.
Palocci disse que o governo está aguardando qual será o efeito nas próximas semanas das recentes reduções dos juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para se ter uma estimativa mais exata de qual deverá ser o crescimento da economia brasileira neste ano. Ele estimou, no entanto, que em 2004 o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deverá ser de 3,5%.
Ao proferir uma palestra num seminário promovido pelo Institute of Internacional Finance (IIF), Palocci fez um amplo relato das medidas implementadas pelo governo e reiteirou o compromisso com a responsabilidade fiscal.
Ele salientou que ''a questão social é um aspecto do equilíbrio econômico'' e está sendo tratada como um tema prioritário por Brasília. O ministro disse o Brasil ''não é um País que gasta pouco na área social, é um País que gasta mal na área social''. Por isso, segundo ele, o governo estabeleceu como prioridade ''a unificação de programas de transferência de renda, que já está praticamente concluída e deverá ser colocada em prática nas próximas semanas.''


