Brasília A meta de inflação para 2003, que atualmente é de até 6,5%, poderá ser elevada, segundo admitiu ontem o coordenador da transição para o novo governo, Antônio Palocci Filho. ''É uma discussão que pode ser feita no momento adequado'', afirmou. ''Deve-se trabalhar com metas possíveis de inflação.'' Ele disse que o assunto poderá ser analisado ainda este ano. Palocci voltou a descartar instrumentos heterodoxos, como tabelamento de preços, para controlar a inflação.
Questionado sobre se o novo presidente do Banco Central (BC), independente de nome, teria coragem de elevar os juros logo em janeiro, ele respondeu: ''Queremos que o futuro presidente do Banco Central seja alguém que tenha coragem de fazer o que deve ser feito a cada momento.'' A primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do governo de Luiz Inácio Lula da Silva está marcada para os dias 21 e 22 de janeiro.
Circula entre analistas econômicos a idéia de que a meta de inflação de 2003 deve ser elevada porque as projeções, atualmente, já indicam um ''estouro''. A média das projeções do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice utilizado para as metas, já aponta para 10,68% em 2003, segundo pesquisa divulgada na segunda-feira pelo BC. Por isso, a insistência em manter a meta inalterada seria contraproducente, pois ela teria pouca credibilidade.
Um número adequado, na opinião de um analista de mercado, seria uma meta igual à de 1999, já que a economia brasileira passa hoje por um choque semelhante ao daquele ano. Em 99, a meta central era de 8%, com margem de tolerância de 2 pontos porcentuais, ou seja, até 10%. O governo ''miraria'' um pouco abaixo dessa meta, para evitar uma taxa de inflação de dois dígitos.
Palocci explicou que, no momento adequado, a equipe do futuro governo vai analisar se a meta de inflação é condizente com as condições objetivas da economia. ''Não quer dizer que a meta esteja baixa'', disse. ''Se ela está adequada ou não, isso precisa ser medido com serenidade e muita propriedade; nosso objetivo é sempre mirar uma meta menor.'' Segundo o coordenador, o ''repique'' da inflação se deve à subida do dólar ocorrida até outubro.

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