Palocci admite correção na tabela do IR
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terça-feira, 07 de dezembro de 2004
Adriana Fernandes<br>Agência Estado 
Brasília - Pela primeira vez, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, admitiu publicamente, ontem, que o governo trabalha para permitir ''algum nível'' de correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) em 2005. Até então, o ministro e sua equipe admitiam apenas ''mudanças'' na tabela, o que não significa na prática uma correção pela inflação. Sem falar em prováveis porcentuais, o ministro assegurou que a sua equipe está fazendo todo o esforço para que haja a correção da tabela, congelada desde o governo Fernando Henrique Cardoso, que só a corrigiu uma única vez, em 2002.
Depois de participar da abertura do II Encontro de Planejamento e Gestão da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), Palocci confirmou que terá na quarta-feira uma reunião com dirigentes das centrais sindicais para discutir as mudanças na tabela do IRPF. Ele negou que a discussão da correção da tabela esteja vinculada ao reajuste do salário mínimo para 2005. ''São dois assuntos diferentes'', disse.
No início deste segundo semestre, Palocci assumiu um compromisso com os sindicalistas de apresentar uma proposta de mudança na tabela ao Congresso Nacional, em troca de um acordo provisório que garantiu a todos os contribuintes um desconto de R$ 100 na base de cálculo do IRPF até o final deste ano, incluindo o 13º salário. Mas, faltando menos de um mês para o fim do ano, nenhuma proposta concreta foi até agora apresentada. Mesmo assim, Palocci se disse confiante numa solução até 31 de dezembro. ''Lógico que dá, por que não? Temos muito tempo'' afirmou o ministro, que já antecipou que nenhuma decisão sairá do encontro com os sindicalistas. Para vigorar em 2005, as mudanças no IRPF têm de ser aprovadas pelo Congresso Nacional até o fim do ano.
Os sindicalistas reivindicam uma correção em torno de 17%, que é o porcentual acumulado da inflação medida pelo IPCA no período do governo Lula. ''Queremos o máximo possível'', disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo. Ele acha possível conciliar uma proposta que mescle alguma correção pela inflação com mudanças na estrutura da tabela, como a alteração das atuais duas faixas de alíquotas do IR de 15% e 27,5%. ''Uma mudança na tabela pode representar o mesmo resultado do que uma correção. O importante é que o imposto seja reduzido'', disse Feijóo.


