Palocci admite acordo ''preventivo'' com o FMI
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terça-feira, 23 de setembro de 2003
Fernando Dantas<br> Agência Estado 
Dubai - O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, confirmou ontem para o secretário do Tesouro americano, John Snow, que o Brasil está cogitando fazer um acordo preventivo (''precaucionário'') com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que funciona como um seguro.
A informação foi dada por Snow, e foi obtida quando ele questionou Palocci em relação à real necessidade do Brasil tomar mais recursos do FMI. Segundo o secretário do Tesouro, ele perguntou ao ministro ''se eles realmente precisavam disto''. Snow acrescentou que não houve uma conotação crítica no seu comentário. Em resposta, Palocci falou sobre a possibilidade do acordo preventivo, segundo Snow.
Os arranjos preventivos, que o Fundo quer melhorar e estimular, dão às linhas de crédito usadas nos programas normais da instituição um caráter de precaução. Na carta de intenções, o País e o FMI deixam claro que a intenção é que o crédito disponibilizado não seja sacado, e que isto só acontecerá no caso de uma crise imprevista.
Comentando o seu encontro com Snow, ontem de manhã, durante a reunião conjunta do FMI e do Banco Mundial, Palocci disse que Snow ''colocou de maneira muito clara que eles vão continuar com a sua pauta multilateral de negociação (comercial)''.
Palocci procurou minimizar a subida de temperatura no debate comercial entre o Brasil e os Estados Unidos nos últimos dias, motivados por um ataque de cada lado: o artigo do negociador comercial americano, Robert Zoellick, no jornal Financial Times, no qual responsabiliza o Brasil e outros países emergentes do G-21 pelo fracasso das negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Cancún; e a declaração do Brasil no Comitê Monetário e Financeiro Internacional do FMI, na qual criticou a ''hipocrisia intolerável'' dos países ricos na questão comercial.
Depois da conversa com Snow, Palocci disse que as negociações comerciais sempre são mais complexas e envolvem eventuais conflitos: ''Isto é normal na história das relações comerciais, nos organismos multilaterais e entre países''. Para o ministro, é preciso encarar isso com naturalidade, e ''olhar o conflito não de maneira negativa, mas como uma indução para se enfrentar os problemas e se criar uma pauta positiva''.
Palocci, que deve ir este ano a Washington, relatou que o Tesouro americano e o Ministério da Fazenda vêm construindo um relacionamento bastante próximo desde a vista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington. Um grupo de trabalho foi constituído entre o Tesouro e o Ministério, com uma pauta que inclui micro e pequenas empresas, segundo o ministro.


