Palloci pede paciência e exorciza inflação
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quinta-feira, 06 de março de 2003
Agência Estado 
Brasília A inflação foi o aspecto da economia brasileira que mais inspirou cuidados durante a última revisão do acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI), admitiu ontem o ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho. ''Há uma preocupação do FMI, e também nossa, com a inflação'', disse. ''A tendência é de queda, mas ela não é suficiente para dizer que a questão esteja resolvida.'' O ministro ressaltou que o governo não será ''nem minimamente leniente (brando)'' com a inflação.
Palocci pediu ''paciência e serenidade'' com as medidas austeras que estão sendo adotadas. ''Pior do que os juros é a inflação'', afirmou, negando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha questionado a elevação da taxa de juros. ''O presidente Lula nunca demonstrou incompreensão com relação à política econômica.'' Palocci classificou também de ''insanidade'' a idéia de que o Brasil precisaria de um ''Plano B'' para a economia nesse momento. ''Falar em mudança de política econômica com todos os indicadores da economia melhorando seria uma insanidade'', disse
Segundo Palocci, o presidente Lula tem clareza sobre a necessidade de promover um ajuste estrutural nas contas do governo como pré-condição para a retomada do crescimento sustentado. ''Não é o Plano A nem o Plano B, é o plano do presidente Lula, o que foi escolhido pela população.''
E disse que acredita que a diretoria do FMI aprovará a revisão do acordo com o Brasil na segunda quinzena de março. Só então, o País decidirá se saca ou não a parcela de US$ 4,2 bilhões que deverá ser colocada à disposição. O texto do acordo não deverá ter ''grandes mudanças'', incorporando a nova meta de superávit primário do setor público consolidado, de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB).
Melhoras O Brasil está começando a ser recompensado por sua política econômica austera, disse Palocci. A queda da taxa de risco Brasil abaixo dos 1.100 pontos, a elevação do C-Bond para níveis acima de 76%, a apreciação do câmbio e a gradual melhora nas condições de financiamento da dívida pública são, na avaliação do ministro, indicações de que a linha adotada pelo governo é a correta, inclusive na percepção dos analistas internacionais.
Prova disso, disse o ministro, é que os indicadores estão melhorando a despeito do risco de guerra entre os Estados Unidos e Iraque e das repercussões negativas desse conflito sobre a economia mundial. É graças a esses dados positivos, segundo ele, que hoje é possível esperar uma queda na inflação independentemente de nova puxada na taxa de juros. É também por essa razão que, neste momento, o governo não pensa em aumentar ainda mais sua meta de resultado fiscal, apesar das incertezas no quadro externo.


