Palloci descarta mudar crédito
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terça-feira, 17 de maio de 2005
Marcelo Billi<br>Folhapress 
São Paulo O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, admitiu ontem que o aumento do crédito causado pelo crescimento rápido dos empréstimos com desconto em folha de pagamento, medida adotada pelo governo, tem impacto inflacionário. Ele descartou, no entanto, qualquer mudança. ''Fizemos uma reforma do crédito. Isso tem algum nível de pressão na política monetária? No curto prazo, tem. No médio e longo prazo, ajuda a política monetária'', disse o ministro durante entrevista concedida após participar de seminário na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
O efeito expansionista do crédito tem sido apontado como um dos fatores, junto com o suposto aumento dos gastos do governo, que tornam mais difícil o combate à inflação. Tanto a alta do crédito como dos gastos aumentam o que os economistas chamam de demanda agregada: a quantidade de bens e serviços que os consumidores tendem a comprar. Com maior procura, fica mais difícil baixar os preços, o que, na avaliação de críticos, tem exigido juros mais altos do que seria necessário caso o crédito e os gastos públicos não estivessem subindo.
Palocci admite o efeito contraditório do crédito, mas diz que tentar intervir de qualquer maneira corresponderia a adotar uma política para ''piorar o Brasil'', já que o desconto em folha ajudou a derrubar as taxas de juros na ponta final. ''O trabalhador pode hoje tomar empréstimo com taxas que são a metade, as vezes um terço (das taxas que vigoravam antes)'', disse ele. ''É um equívoco pensarmos que a melhoria do crédito pode prejudicar o país'', concluiu.
O ministro não admite, no entanto, o argumento de que os gastos do governo têm efeito expansionista. Diz, pelo contrário, que os gastos estão sob controle e que, com exceção das transferências de renda (na maioria, gastos sociais), não houve aumento. ''Os gastos como proporção do PIB ficaram estáveis.''
Câmbio Ciceroneado pelos industriais paulistas, o ministro descartou qualquer mudança no ponto da política econômica que atualmente mais preocupa os empresários do setor: a taxa de câmbio. Palocci concedeu a entrevista ao lado de Benjamin Steinbruch, vice-presidente da Fiesp, diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional e crítico da política cambial, que ele diz ser negativa para as exportações. ''Não é plausível acreditar que se possa persistir num caminho que levará o país a jogar pela janela essa extraordinária oportunidade que continua sendo oferecida pela economia mundial'', escreveu Steinbruch, há menos de um mês, em artigo publicado na ''Folha de S.Paulo''.


