O chefe conta uma piada sem graça. O subordinado é o que ri e o potencial é o que pede para o chefe contar outra. Os funcionários que não riram acabam de perder a chance de obter promoções nos próximos meses. É com esse bom humor que o articulista das revistas Exame e Você S/A, Max Gerhinger, proferiu palestra sobre o lado cômico da vida profissional ontem à noite no Teatro do Colégio Marista no 1º Ciclo de Palestras CBN Londrina. Administrador de empresas por formação e comentarista da Rádio CBN, Gerhinger foi presidente da Pepsi-Cola, da Pullman/Santista Alimentos, diretor da Elma Chips e da PepsiCo Foods nos Estados Unidos.
De acordo com ele, a situação citada na abertura desta reportagem exemplifica a necessidade do vínculo que o empregado precisa ter com o chefe para obter promoções e permanecer no emprego por mais tempo, além de ter um bom relacionamento com os demais colegas.
E como aquele chefe carrancudo, que não gosta de contar piadas, permanece tanto tempo na chefia? ''Esse carrasco traz resultados para o dono da empresa. Aliás, os resultados dele estão acima do que o dono espera e por isso ele o mantém no cargo'', explica Gerhinger, completando: ''Para o dono ou os acionistas de uma empresa, primeiro o resultado, depois a alegria.
Na verdade, continua o articulista, os dois chefes são bons, tanto o piadista quanto o carrancudo, até porque existem empresas que, pelo histórico, são mais sérias - raramente se ouve um palavrão ou alguém falando alto. ''É aí que entra o processo de seleção. Na hora de contratar a empresa tem que conhecer o perfil do cara. Não pode contratar o cara errado. Se o perfil não se encaixar, esse funcionário vai estar longe de obter uma promoção. Por isso é que muitas vezes se ouve algum funcionário dizer: sou esforçado, mas a empresa não me dá oportunidade.'' O que ocorre é que o perfil dele não está em sintonia com o ambiente. O fato de ter escapado de movimentos grevistas na época em que foi presidente nas empresas, ele credita a sua sinceridadeo com o colaborador.
Autor de vários livros, entre eles ''Relações Desumanas no Trabalho'', ''Comédia Corporativa'' e ''Não aborde seu chefe no banheiro'', Gerhinger fala sério brincando. Para não cansar o público, ele passa imagens num telão e conta histórias e exemplos de várias empresas, sobretudo naquelas em que trabalhou. Entre os pontos principais, ele destaca que é fundamental a empresa estar preparada para mudanças. ''Todos os dias, somos surpreendidos por uma nova mudança. Elas estão mais rápidas, ou nós estamos mais lentos'', questiona ele num dos livros.
De acordo com Gerhinger, as décadas de 80 e 90 ficaram conhecidas como a ''Era da Ansiedade''. Primeiro porque a concorrência númerica é enorme: nunca houve tanta gente no mundo como agora. Segundo, diz ele, porque as mulheres se incorporaram definitivamente ao mercado. Terceiro, porque nunca houve tanta gente tão bem preparada para ter sucesso. ''O problema é que há mais gente boa no mercado que bons empregos. Pesquisas mostram que os piores alunos das melhores escolas têm mais chances do que os melhores de uma escola menos conceituada.''

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