Paiva quer ampliar contrato temporário
O governo quer ampliar de seis para 12 meses o prazo em que o assalariado poderá permanecer empregado pelo contrato temporário de trabalho. O ministro do Trabalho, Paulo Paiva, disse ontem que enviará ao Congresso projeto de lei para efetuar a mudança. Segundo ele, o prazo mais longo facilita a contratação de empregados, principalmente nos setores atrelados à sazonalidade.
Desta forma a contratação em setores sazonais terá a proteção da legislação, destacou o ministro. Ele lembrou que hoje as empresas repassam para os preços o custo de manter um empregado ocioso. O empresário coloca um operário da produção para pintar parede e eleva os preços para compensar o custo, disse. A abertura da economia desmontou essa possibilidade, completou.
O ministro lembrou que o País ainda paga o custo de uma indústria protegida. O desenvolvimento industrial no Brasil ocorreu com o amparo do Estado, com incentivos fiscais e mão-de-obra barata, destacou. Paiva destacou que a legislação trabalhista mantém uma herança fascista. Minha meta é fazer o Brasil chegar no nível da Europa pós-guerra, frisou. Junto com o projeto de lei para prazo mais longo para a contratação de empregados, Paiva enviará ao Congresso proposta de regulamentação do contrato de safra no trabalho rural.
Ele prevê que, ao lado das reformas tributária, administrativa e da Previdência, a reforma trabalhista merecerá uma segunda rodada. Todos desejaríamos que as reformas fossem aprovadas com urgência, mas não adianta levar propostas para o Congresso sem o apoio da sociedade, justificou.
O apoio que Paiva busca está no movimento sindical. A CUT, por exemplo, concorda em que a unicidade sindical atrapalha a negociação, observou. O caminho traçado pelo ministro do Trabalho fará, portanto, com que as propostas do governo cheguem ao Congresso respaldadas pelos apoio dos sindicalistas.





