Paiva descarta aumento do mínimo para R$ 208,00
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de janeiro de 1998
Agência Estado Brasília 
Oportunista, demagógica e sem qualquer viabilidade. Foi assim que o ministro do Trabalho, Paulo Paiva, classificou o projeto do deputado Paulo Paim (PT-RS), que aumenta o salário mínimo de R$ 120,00 para R$ 208,00. Paulo Paiva afirmou que não acredita que o Congresso vá aprovar a proposta do deputado porque ela compromete a estabilidade da moeda. Mas se for aprovada, recomendarei ao presidente o veto, diz o ministro.
Paulo Paiva garantiu que o governo Fernando Henrique manterá, em pleno ano eleitoral, a mesma trajetória de crescimento real do salário mínimo, inaugurada no ano do lançamento do plano, o que significa aumentos gradativos e com base na realidade econômica do país. Não vamos fazer bobagem, assegurou. Para o ministro do Trabalho o aumento real do salário mínimo está diretamente relacionado com o desempenho da economia, ou seja, com o aumento da produtividade e do mercado de trabalho. O bem maior da sociedade brasileira é a estabilidade da moeda, afirmou Paiva.
Se o deputado Paim quer mesmo contribuir para o aumento real do salário mínimo deveria se empenhar em votar a reforma da Previdência Social provocou Paulo Paiva. Ele explicou que, no Brasil, o salário mínimo também tem dimensão fiscal, pois é indicador dos benefícios pagos pela Previdência, além de ter grande peso na folha de salários de Estados mais pobres e municípios. Essa é a a principal restrição ao aumento, admite.
De acordo com os técnicos da Previdência Social, só por conta do aumento de 73% no valor do salário mínimo, proposto pelo deputado Paulo Paim, as despesas da previdência com o pagamento mensal de benefícios aumentariam R$ 960 milhões, ou seja, um déficit de mais de R$ 11 bilhões no ano. A Previdência já fechou o ano passado com um déficit de mais de R$ 2 bilhões e, mesmo antes da proposta do aumento do salário mínimo aparecer, as estimativas preliminares indicavam, para 1998, um déficit crescente, que poderá chegar a mais do dobro de 97. O aumento nominal do salário mínimo não garante o aumento do poder aquisitivo, argumentou Paiva.
Segundo o ministro do Trabalho o salário mínimo não tem mais qualquer representatividade dentro do mercado de trabalho formal da iniciativa privada, servindo apenas como referência. Em cada 100 trabalhadores com carteira assinada, apenas seis recebem o piso salarial do País.


