Países querem 'relançar' o Mercosul
Agência Estado
De Buenos Aires
Negociadores dos quatro países do Mercosul concluíram em Buenos Aires a reunião do Grupo Mercado Comum (GMC), que analisou o estado da situação do processo de integração regional. Para fortalecer a união alfandegária, o GMC definiu uma agenda para o relançamento do Mercosul.
Os negociadores concordaram na necessidade de fortalecer o bloco comercial e de instituir órgãos permanentes. Nestas reuniões analisamos os problemas que causam problemas para o Mercosul, disse um dos negociadores à Agência Estado.
O negociador especial brasileiro para o Mercosul, o embaixador José de Botafogo Gonçalves, declarou que o GMC está tentando encontrar alguns aperfeiçoamentos solicitados pelos setores privados, especialmente para a solução de controvérsias comerciais. Segundo ele, outro ponto é o fortalecimento institucional do Mercosul. Os negociadores pretendem que com esta reorganização interna, sejam mais fáceis as conversações com outros blocos, como a União Européia e o Nafta.
O relançamento é necessário porque algo (o Mercosul) que vinha caminhando, se estancou, afirmou o vice-chanceler Horacio Chighizola. Segundo o negociador argentino, este relançamento ocorre após dois anos de extremas
dificuldades.
Entre os principais temas da agenda estão a agilização dos trâmites de fronteiras, uma definição dos incentivos aos investimentos, à produção e à exportação, incluindo zonas francas. Além disso será discutida uma forma definitiva de solução de controvérsias, que é uma das principais reclamações da Argentina.
Na agenda também foram incluídas as relações internacionais, de forma a coordenar conjuntamente a negociação com outros blocos comerciais.
Citando como exemplo, Botafogo Gonçalves comentou a aproximação que está ocorrendo com a África do Sul, para que se alcance um tratado comercial com esse país e o Mercosul. O acesso aos mercados é outro ponto: esta é uma preocupação do Uruguai, já que este país pretende ter maior acesso aos mercados do Brasil e da Argentina, como recompensa pelo aumento de custos consequentes do aumento da Tarifa Externa Comum.
Os pontos dessa agenda serão detalhados nas próximas reuniões, de forma que na cúpula de presidentes do bloco comercial, que será realizada em junho na capital argentina, possam ser anunciadas medidas concretas.
O negociador argentino também fez um anúncio que pegou a equipe brasileira desprevenida: Chighizola afirmou que o Mercosul precisa se aprofundar antes de ampliar-se. De acordo com o diplomata, reconhecemos as dificuldades internas que temos no bloco comercial, e por isso, somente depois podemos ampliar para um quinto e sexto sócio, neste caso, o Chile e a Bolívia.
Outra surpresa durante a reunião, destra vez sem o conhecimento prévio do Brasil e da Argentina, o negociador paraguaio anunciou que seu país e o Uruguai estão pensando em realizar no ano que vem uma comemoração dos dez anos do Tratado de Assunção, que deu origem ao Mercosul. Essa cerimônia poderia incluir o ex-presidente Fernando Collor, durante cuja presidência foi assinado o Tratado.





