Países querem evitar futuros colapsos
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domingo, 01 de março de 1998
Agência Folha 
Arquivo FolhaConvidadoMalan vai representar o Brasil, que foi convidado para reunião dos países mais industrializados nos EUAOs países mais ricos concordam que será necessário alterar os atuais mecanismos de supervisão bancária para consolidar os sistemas financeiros de todo o mundo e evitar crises como a do Sudeste Asiático. Também estão de acordo que os custos de uma crise internacional não devem ser pagos apenas pelos países que a detonaram. Os mesmos países acreditam que lhes cabe uma parcela dessa conta.
Esses foram os principais consensos obtidos no último dia 17 em Washington, durante encontro preparatório à reunião dos ministros de Economia do G-7 e de mais 14 países considerados importantes. Esse evento foi liderado pelo vice-secretário do Tesouro norte-americano, Larry Summers.
O G-7 é o grupo dos mais industrializados, formado por Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Japão. Em abril, os 21 ministros de economia se reunirão em Washington para avaliar as repercussões da crise asiática neste e nos próximos anos. A intenção é gerar mecanismos que permitam maior rapidez na identificação e solução de situações de colapso financeiro.
Convidado como uma das economias importantes, o Brasil será representado pelo ministro Pedro Malan (Fazenda). Os mecanismos de que a comunidade internacional dispõe para identificar e avaliar os sinais de crise são insatisfatórios, afirmou Marcos Caramuru, secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, que representou o Brasil no encontro.
Segundo o secretário, deverá ser proposta em abril a criação do emprestador do último recurso. O papel seria assumido por organismos internacionais já existentes, que se tornariam aptos a socorrer sistemas bancários que caminhem para o colapso e a impor penas aos responsáveis pela crise.
Poderiam levar a cabo essa tarefa, em princípio, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o BIS (Banco para Pagamentos Internacionais), o banco central dos bancos centrais, sediado na Suíça. A supervisão da concessão de empréstimos em momentos de grande liquidez é importante. O setor financeiro é o destino de boa parte da poupança de um país e é imprescindível que se mantenha sólido, explicou.
Durante o encontro preliminar, os participantes concluíram que houve demora de pelo menos sete anos para que os países mais industrializados aceitassem assumir parte dos custos da crise da dívida dos anos 80. O consenso agora é que não há mais condições para tamanha demora. Os países industrializados se conscientizaram de que podem ser atingidos por crises em outras regiões, disse Caramuru.
Os emergentes, por sua vez, terão que amadurecer e fazer os ajustes necessários para a inserção em uma economia globalizada. A reunião preliminar definiu a criação de três grupos de trabalho para analisar os sistemas financeiros, o modelo de repartição de custos de crises e a fórmula de transparência das informações ao mercado.


