A Associação dos Países Produtores de Café (APPC) decidiu ontem manter o plano de retenção, iniciado no ano passado para tentar elevar os preços do produto no mercado internacional. Os países que não cumpriram a retenção nos últimos meses se comprometeram a fazê-lo a partir de agora. O secretário de Produção e Comercialização do ministério da Agricultura Pedro Camargo Neto disse que o Brasil exigiu ‘‘um esforço considerável dos países’’ para realizarem a retenção conforme foi combinado. ‘‘Nós fizemos a nossa parte e queremos que os outros países, que não fizeram, cumpram com o prometido.’’
Camargo Neto disse também que os países produtores deverão adotar um programa de qualidade de café. Dentro de 60 dias, os países da América Central, autores da proposta, vão apresentar um projeto para sua implementação. Ainda não há percentuais estabelecidos do café de baixa qualidade a ser eliminado. ‘‘Isso vai depender de país a país. O Brasil, por exemplo, já iniciou o seu programa de qualidade’’, disse. A decisão sobre o programa de qualidade não foi unânime. Índia e Indonésia, segundo Camargo Neto, não teriam condições de implementar essa triagem de café.
O secretário admitiu que as decisões da APPC não terão efeito nos preços de café no curto prazo. ‘‘Com o programa de qualidade e com a promoção de consumo no médio prazo poderemos obter resultados concretos.’’ Camargo Neto lamentou a ausência do Vietnã na reunião da APPC.
‘‘É uma pena, estamos desapontados. Não entendo como o segundo maior produtor do mundo deixa de participar de um encontro em que é um dos maiores interessados.’’ Ele disse também que a segunda fase da retenção será inspecionada por uma auditoria internacional. Camargo Neto reiterou que a prioridade do governo brasileiro é dar apoio ao produtor nacional, inclusive financeiro.
Questionado sobre quanto o governo brasileiro pretende gastar no apoio ao produtor, limitou-se a dizer que ‘‘o suficiente’’.

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