‘Países menores devem
abandonar suas moedas’
Arquivo FolhaDornbusch: zeros demaisQuando nascem novos países, a primeira coisa que se faz é criar uma nova moeda. Com o tempo, ela vai adquirindo tantos zeros e imagens patrióticas quanto vai perdendo seu valor. Esse é o preço do mal-entendido sobre a identidade nacional. Por que as economias emergentes insistem em administrar seus próprios bancos centrais?
Dinheiro democrático é dinheiro ruim. A década que passou presenciou a ascensão de bancos centrais independentes e a terceirização do dinheiro. Países como a Itália escaparam por pouco da falência de suas finanças públicas ao entregar sua autoridade monetária ao Banco Central Europeu. Na França, onde a situação era razoavelmente menos precária, a rendição – primeiro ao Bundesbank e depois ao Banco Central Europeu – não foi menos incondicional, e os resultados foram claramente positivos.
Há uma mensagem para os países periféricos da Europa. O diletantismo nacional na administração da moeda é dispendioso demais, particularmente para os países pobres. O presente surto de entusiasmo nos mercados de capitais sugere duas maneiras incomuns de abandonar de maneira favorável uma moeda ruim.
Uma estratégia é a tomada de controle amigável. O candidato óbvio a esse tipo de experiência é o Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas existem outras. Isso poderia acontecer por meio de uma âncora cambial – o banco central do país deixaria de emitir dinheiro, exceto no contexto da aquisição de moeda estrangeira, e a taxa de câmbio ficaria rígida e vinculada ao euro, por exemplo. É a experiência da União Européia.
As taxas de juros despencariam, a inflação ficaria congelada, os limites de tolerância à má administração se enrijeceriam muito e a política se divorciaria completamente das finanças públicas. Divisas medíocres estão fora de moda, mas moeda atraente não. Ninguém acredita que a desvalorização seja um passo no caminho da prosperidade ou que a inflação crie empregos: ninguém é capaz de acreditar que imprimir dinheiro seja uma forma inteligente de financiar o governo. Adotar um ‘‘dinheiro bom’’ é uma mudança para melhor. A Europa já está trilhando esse caminho.
Rudiger Dornbusch é professor de Economia e Administração Internacional no Massachussets Institute of Technology

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