O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial aprovaram ontem medidas para aliviar em até US$ 50 bilhões a dívida de 20 países situados entre os mais pobres do mundo, até o final do ano. O plano, aprovado em Praga pelas lideranças das duas instituições de Bretton Woods, acelerará consideravelmente o calendário da iniciativa de alívio das dívidas dos países pobres muito endividados (PPME), conhecida como HIPC pelas iniciais em inglês.
Lançado há quatro anos, o plano exige em troca programas de reformas e o comprometimento dos países beneficiados a investir na redução da pobreza dos cidadãos, através de iniciativas supervisionadas pelo FMI e BM.
Até o momento apenas 10 países vêm sendo beneficiados: Benin, Bolívia, Burkina Faso, Honduras, Mali, Mauritânia, Moçambique, Tanzânia, Senegal e Uganda. De acordo com as medidas aprovadas em Praga outros 10 países se somarão a esta lista até o final do ano.
Protestos Menos de mil pessoas responderam ontem, em Praga, à convocação da Coordenação Internacional Jubileu 2000 para pedir o perdão total da dívida dos países pobres.
Nas ruas de Praga, o Jubileu 2000 organizou um ‘‘funeral’’ para enterrar simbolicamente as 19.000 crianças mortas nos países pobres. Para o Jubileu 2000, é preciso perdoar todas as dívidas dos países mais pobres do planeta, uma dívida avaliada em US$ 300 bilhões. Os simpatizantes da Coordenação Internacional, pouco numerosos, mas muito festivos, compareceram vestidos de preto para exigir o perdão total. ‘‘Demonstramos com números ao Banco Mundial que, depois de onze anos pagando fielmente a dívida, ainda temos que pagar uma quantia igual ou superior em juros’’, explicou Mauricio Díaz Burdett, coordenador do Foro Social da Dívida Externa e Desenvolvimento em Honduras (FOSDEH).
O governo do Canadá convidou ontem todos os países credores a apoiarem uma moratória imediata do reembolso das dívidas dos países pobres muito endividados (PPME), desde que os mesmos estejam colocando em prática boas políticas e não estejam envolvidos em conflitos armados.
Sob a pressão de milhares de manifestantes em vários países do mundo e nas ruas da capital checa, que amanheceram ontem fortemente policiadas, o FMI e o Banco Mundial sacramentarão as mais extensas reformas em suas operações em mais de uma década durante a sessão plenária de sua 55ª reunião anual, que se instala amanhã.
Apesar da veemência das críticas, a duas instituições começam seu primeiro encontro do milênio com sua credibilidade em franca recuperação depois da grave crise financeira internacional que começou na Ásia, em meados de 1997, e chegou a colocar a própria utilidade do Fundo e do Banco em questão.
Horst Koehler, enfatizou ontem esse ponto ao chamar atenção para duas ações que os governos dos países líderes do sistema financeiro internacional tomaram nos últimos dias para manter a estabilidade e a perspectiva de crescimento da economia mundial.

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